Naihma Salum Fontana é infectologista que está agindo na linha de frente contra a COVID-19 que teve um relato viralizado nos últimos dias. A chegada de pacientes que haviam feito o tratamento com supostos medicamentos “preventivos”, como a hidroxicloroquina e ivermectina, que acabaram tendo seus casos piorados ou até mesmo um falso sentimento de “proteção” vem preocupado a profissional.
Ela ainda relatou casos em que a ajuda médica não conseguiu salvar a vida de alguns como um paciente de Tatuí (SP) que fazia o consumo de cloroquina e ivermectina. Com 36 anos e obeso ele fazia parte do grupo de risco.
“Estava tomando essa medicação e com falta de ar. Quando voltou ao hospital, já estava com cianose labial [quando a pele fica roxa]. Ele foi entubado em Tatuí e encaminhado para o hospital que trabalho em Sorocaba. Ficou entubado por 72 horas e foi a óbito. Chegou em um estado muito avançado”, lembra.
A profissional alerta que o retardo na busca por um serviço de saúde para avaliação dos efeitos silenciosos, que podem esconder a ação da doença. “É a hipóxia silenciosa, a diminuição da quantidade de oxigênio no sangue. Então, a pessoa se sente protegida e não está”, diz.
Conta também o caso de uma gestante que decidiu se automedicar com hidroxicloroquina. “Só que ela já tinha uma arritmia e teve que ser internada por causa da cloroquina. E, ao fim, estava de 28 semanas. Conseguiram segurar a gestação por mais duas semanas, mas evolui para insuficiência respiratória e experimentou os efeitos colaterais, que quase a levaram a óbito”, detalha. A paciente e o bebê sobreviveram .
Sobre a eficácia do suposto “tratamento precoce” profissional afirma: “Não funcionam. Vemos na prática e diversos estudos robustos já provaram que não tem eficácia na redução da probabilidade de necessidade de entubação e ventilação mecânica, ou redução na chance de óbito.”
Fonte indicada e adaptada: G1
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