Colunistas

Que a sua fala seja melhor do que o seu silêncio

A sabedoria popular já nos aconselha que a palavra é prata e o silêncio é ouro, não à toa. Saber o momento certo para nos expressarmos, bem como com as palavras mais adequadas, é uma das melhores formas de não entrarmos em discussões desnecessárias e de evitarmos magoar as pessoas. Além disso, o fato de termos uma opinião formada não quer dizer que estejamos certos.

A comunicação humana realmente é muito complexa, pois envolve pontos de vista distintos, às vezes semelhantes, muitas vezes dissonantes. Cada um de nós possui as próprias formas de pensar e de sentir as coisas, pois cada pessoa passa por lugares diferentes, vem de onde o outro nem imagina, passa por situações que moldaram sua visão de mundo de forma singular.

Por isso é que não devemos esperar que o outro tenha as mesmas reações que as nossas ou se comporte conforme aquilo que esperamos. Por isso é que não podemos achar que sabemos exatamente o que o outro precisa ouvir naquele momento, que estaremos o ajudando quando opinarmos ou darmos conselhos. Muitas vezes, não queremos ouvir nada de ninguém, nem estamos prontos para receber alguma coisa – queremos paz e silêncio.

É preciso perceber que existem momentos em que não adianta tentar conversar, tampouco seremos ouvidos. Da mesma forma, devemos ter noção do nosso grau de intimidade com a pessoa a quem queremos expressar nossas opiniões, pois estaremos sendo invasivos, indelicados e desagradáveis, caso não sejamos próximos o bastante. Afinal, quem somos nós, para falar o que quisermos para quem quisermos?

E, mesmo que se trate de alguém com quem tenhamos uma relação forte e constituída, não podemos supor que possuímos um passe livre para adentrar na vida dele quando e como quisermos. Com amigos, familiares e parceiros, temos ainda uma obrigação maior de saber até onde podemos ir, com quais palavras devemos entrar e o momento certo de agir e de falar.

Ninguém é obrigado a ouvir o que não quiser, a não ser em situações específicas, como nas orientações no trabalho, nas correções que os pais fazem, na escola. Mesmo assim, a maneira como as coisas são ditas fazem toda a diferença na receptividade do ouvinte. Grosserias são automaticamente repelidas por quem as recebe e, na maioria das vezes, devolvidas no mesmo ritmo ofensivo.

É preciso, portanto, muita ponderação e discernimento no trato com as pessoas, principalmente quando elas estão passando por situações difíceis e desagradáveis, pois nem sempre estarão abertas ao diálogo. Mais do que falar, devemos saber o que, quando e com quem falar, caso contrário, as palavras soarão nada mais do que como um nada ofensivo. Preferível, no caso, um silêncio confortador.

Marcel Camargo

Graduado em Letras e Mestre em "História, Filosofia e Educação" pela Unicamp/SP, atua como Supervisor de Ensino e como Professor Universitário e de Educação Básica. É apaixonado por leituras, filmes, músicas, chocolate e pela família.

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Marcel Camargo

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