Tem filme que já abre a porta te dizendo “aqui ninguém é exatamente quem parece” — e Maus Momentos no Hotel Royale joga isso na sua cara com elegância: um prédio decadente, música boa tocando no fundo, recepção vazia e aquele silêncio que parece estar “ouvindo” você.
A graça é que o hotel não funciona só como cenário: ele dita as regras do jogo, separa pessoas por paredes finas (e nem tão inocentes assim) e transforma pequenos gestos em pistas.
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Lançado em 2018, o suspense escrito e dirigido por Drew Goddard (O Segredo da Cabana) coloca sete desconhecidos sob o mesmo teto numa noite de 1969, no El Royale, um hotel à beira do lago Tahoe, encostado na divisa entre Califórnia e Nevada.
O detalhe é que todo mundo ali carrega um segredo — e alguns deles são do tipo que não dá pra manter trancado por muito tempo.
A premissa tem um sabor de “peça de câmara” com tempero policial: personagens entram, medem o terreno, mentem por educação, tentam parecer normais… até que as camadas vão caindo e a noite desanda.
O roteiro brinca com a expectativa do público ao alternar pontos de vista e reorganizar o que você achava que tinha entendido. Quando certas informações aparecem, cenas anteriores ganham outro peso — e isso é feito mais no “encaixe” do que no susto fácil.
O elenco ajuda muito a sustentar essa tensão que cresce aos poucos. Jeff Bridges interpreta um padre com um passado meio nebuloso; Cynthia Erivo é uma cantora com presença forte (e uma das melhores âncoras emocionais do filme); Dakota Johnson surge como uma hóspede que claramente chegou com um plano; Jon Hamm entrega aquele carisma que pode ser acolhedor ou perigoso, dependendo do ângulo.
E quando Chris Hemsworth entra em cena, a história muda de marcha — como se alguém tivesse arrancado o freio de mão do hotel.
Visualmente, Maus Momentos no Hotel Royale capricha na reconstituição de época sem virar vitrine: figurinos, iluminação e trilha criam uma atmosfera que mistura charme e desconforto.
O El Royale parece sempre “cansado”, como se já tivesse visto coisa demais — e a direção usa corredores, quartos e espaços apertados pra deixar a sensação de que todo mundo está sendo observado (às vezes literalmente).
Vale avisar: é um filme longo — 2h23 — e ele assume esse ritmo mais paciente, principalmente na primeira metade, quando está preparando o tabuleiro e deixando as relações entre os personagens mais claras (ou mais suspeitas).
Quem compra a proposta ganha um suspense com reviravoltas, explosões pontuais de violência e um prazer específico: perceber que quase tudo ali tem intenção, até as conversas que parecem só “quebra-gelo”.
Pra fechar o serviço: Maus Momentos no Hotel Royale está no Disney+.
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