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Ovo aumenta o colesterol? A resposta dos especialistas depende de um detalhe importante

Ricos em proteínas, vitaminas e nutrientes importantes para o organismo, os ovos continuam cercados de dúvidas. Afinal, comer todos os dias faz bem? E até que ponto o colesterol da gema deve preocupar? As recomendações médicas ajudam a esclarecer essas questões.

O ovo já passou por diferentes reputações quando o assunto é alimentação saudável. Durante décadas, foi visto com desconfiança por causa do colesterol presente na gema. Depois, ganhou espaço em dietas e cardápios voltados ao ganho de massa muscular, muitas vezes acompanhado da ideia de que poderia ser consumido sem grandes restrições.

A ciência, porém, apresenta uma resposta menos radical. Para a maioria das pessoas saudáveis, os ovos podem fazer parte da alimentação habitual, desde que sejam considerados a quantidade consumida, a forma de preparo e os demais alimentos presentes nas refeições.

A Associação Americana do Coração (AHA), uma das principais referências internacionais em saúde cardiovascular, destaca que a qualidade da alimentação depende do conjunto de hábitos alimentares, e não da presença isolada de determinado ingrediente. Essa orientação foi reforçada nas diretrizes publicadas pela entidade em 2026.

O que acontece no organismo quando você come ovos?

Um ovo grande contém aproximadamente 6 gramas de proteína, além de fornecer nutrientes envolvidos em diferentes funções do organismo.

Suas proteínas possuem aminoácidos essenciais, utilizados pelo corpo na manutenção e recuperação dos tecidos, incluindo os músculos. Isso ajuda a explicar a presença frequente do alimento na rotina de pessoas que praticam atividades físicas.

A gema, frequentemente descartada por quem teme o colesterol, concentra boa parte dos micronutrientes do ovo. Entre eles estão a vitamina D, importante para a saúde óssea, e os carotenoides luteína e zeaxantina, associados à manutenção da saúde dos olhos.

Outro componente de destaque é a colina, nutriente que participa da formação das membranas celulares e de processos relacionados ao funcionamento do sistema nervoso.

Segundo os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH), um ovo grande cozido fornece aproximadamente 147 miligramas de colina, quantidade equivalente a cerca de 27% do valor diário de referência utilizado no país.

Esses benefícios nutricionais, entretanto, não tornam necessário consumir ovos em todas as refeições. Carnes, peixes, leguminosas, laticínios e outros alimentos também contribuem para atender às necessidades de proteínas e micronutrientes.

Comer ovos todos os dias aumenta o colesterol?

Essa é uma das principais dúvidas sobre o alimento, especialmente entre pessoas que já receberam resultados elevados de colesterol em exames de sangue.

A gema contém colesterol alimentar, mas sua relação com o colesterol circulante é mais complexa do que se acreditava anteriormente.

O organismo produz colesterol naturalmente, principalmente no fígado, e também recebe parte dele por meio da alimentação. A quantidade ingerida pode influenciar os níveis sanguíneos, embora essa resposta varie entre indivíduos.

De acordo com a Associação Americana do Coração, a gordura saturada consumida ao longo do dia merece atenção especial. Substituir fontes dessas gorduras por opções ricas em gorduras insaturadas tende a produzir efeitos favoráveis sobre o LDL, conhecido popularmente como colesterol ruim.

Isso significa que o impacto de uma refeição com ovos pode depender bastante dos acompanhamentos. Dois ovos servidos com bacon, linguiça e bastante manteiga apresentam um perfil nutricional diferente de ovos cozidos acompanhados de vegetais e pão integral.

Em suas recomendações específicas sobre colesterol alimentar, publicadas em 2019, a AHA considerou que adultos saudáveis podem incluir até um ovo inteiro diariamente em um padrão alimentar equilibrado. A entidade, no entanto, ressalta a necessidade de cuidados individualizados para pessoas com alterações nos lipídios sanguíneos, diabetes ou determinadas condições cardiovasculares.

Essa quantidade funciona como referência geral, não como uma meta obrigatória ou uma autorização para consumir ovos sem limites.

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A maneira de preparar os ovos faz diferença

O ovo cozido é uma alternativa prática para quem procura uma refeição com proteína sem precisar acrescentar gordura durante o preparo. Omeletes com tomate, cebola, espinafre e outros vegetais também permitem combinar diferentes nutrientes.

Já os ovos fritos exigem atenção à quantidade e ao tipo de gordura utilizada. Prepará-los com pouco óleo vegetal insaturado é diferente de utilizar grandes porções de manteiga ou acrescentar carnes processadas.

Não é necessário abandonar receitas tradicionais, mas vale observar a frequência com que ingredientes ricos em gordura saturada e sódio aparecem no cardápio.

As recomendações cardiovasculares de 2026 da Associação Americana do Coração incentivam o consumo de frutas, verduras, legumes, grãos integrais e fontes saudáveis de proteína. Também orientam reduzir o sódio, limitar alimentos ultraprocessados e priorizar gorduras insaturadas.

Na prática, um café da manhã com ovos, fruta e pão integral pode ser uma opção equilibrada. No almoço, eles podem acompanhar arroz, feijão e salada, especialmente quando se deseja variar as fontes de proteína.

Ovo com gema mole é seguro? Entenda os cuidados

Além das questões nutricionais, existe um aspecto importante que costuma receber menos atenção: o risco de contaminação alimentar.

Ovos crus ou insuficientemente cozidos podem transmitir bactérias do gênero Salmonella, responsáveis por infecções que provocam sintomas como diarreia, febre, cólicas abdominais e vômitos.

A aparência não permite identificar com segurança a contaminação. Mesmo ovos com cascas aparentemente limpas e intactas podem apresentar o microrganismo.

A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, recomenda armazenar os ovos sob refrigeração e cozinhá-los até que tanto a clara quanto a gema estejam firmes.

Para preparações que levam ovos crus ou pouco cozidos, como algumas maioneses caseiras, sobremesas e molhos, a orientação é utilizar ovos pasteurizados.

Esses cuidados são particularmente importantes para crianças pequenas, gestantes, idosos e pessoas com o sistema imunológico enfraquecido, grupos que podem apresentar complicações mais graves decorrentes de infecções alimentares.

Também é recomendável higienizar mãos, utensílios e superfícies que tiveram contato com ovos crus, evitando a contaminação de outros alimentos.

Quem precisa ter mais cuidado com a quantidade?

Embora o consumo moderado seja compatível com uma alimentação saudável para grande parte da população, algumas condições exigem acompanhamento mais específico.

Pessoas com colesterol LDL elevado, dislipidemias, diabetes ou histórico de doenças cardiovasculares podem precisar de orientações diferentes, conforme seus exames, tratamentos e hábitos alimentares.

A avaliação deve considerar a quantidade total de gordura saturada ingerida, as demais fontes de colesterol alimentar e a presença de fatores de risco, como hipertensão, tabagismo e histórico familiar.

Para quem já apresenta alterações importantes de colesterol, simplesmente retirar a gema pode não ser suficiente para melhorar os resultados. A alimentação inteira precisa ser avaliada, especialmente o consumo frequente de carnes gordurosas, embutidos e outros produtos ricos em gordura saturada.

As diretrizes da Associação Americana do Coração divulgadas em março de 2026 reforçam justamente essa abordagem: para a maioria das pessoas, o colesterol alimentar deixou de ser o principal alvo isolado das estratégias de prevenção cardiovascular. A prioridade está na qualidade e na composição da dieta habitual.

Por isso, antes de seguir recomendações das redes sociais para comer vários ovos diariamente ou eliminar completamente a gema, vale considerar o próprio histórico clínico. A quantidade adequada pode variar conforme as necessidades nutricionais e as condições de saúde de cada pessoa.

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Gabriel Pietro

Gabriel tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 10 mil textos assinados até aqui.

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