Indicação de Filme

O filme de Tom Hanks considerado por muitos como “o mais belo da história da ficção científica”

Há filmes de ficção científica que apostam em naves, máquinas impossíveis e guerras no espaço. A Viagem, conhecido originalmente como Cloud Atlas, escolhe outro caminho: usa o tempo como matéria-prima para falar de escolhas pequenas, erros antigos, afetos que atravessam gerações e gestos que parecem mínimos quando acontecem, mas mudam muita coisa lá na frente.

Lançado em 2012, o longa dirigido por Tom Tykwer, Lana Wachowski e Lilly Wachowski tem Tom Hanks em um dos trabalhos mais curiosos de sua carreira. O ator aparece em diferentes épocas, com personagens distintos, indo de figuras moralmente duvidosas a presenças mais humanas e vulneráveis. Essa repetição do elenco em papéis variados é uma das marcas do filme: a ideia é sugerir que certas forças — amor, medo, violência, coragem, culpa — reaparecem em outras formas, em outros corpos e em outros séculos.

A história acompanha seis tramas conectadas. Uma se passa no século XIX, em meio a uma viagem marítima; outra acompanha um compositor na Europa dos anos 1930; há ainda uma investigação jornalística nos anos 1970, uma trama cômica envolvendo um editor preso em uma instituição, um futuro dominado por corporações e uma realidade pós-apocalíptica. No papel, parece coisa demais. Na tela, o filme monta esse quebra-cabeça com cortes constantes, criando uma sensação de rima entre uma época e outra.

É aí que mora boa parte do fascínio. A Viagem defende que nenhum ato existe isolado. Uma decisão tomada por medo pode ferir pessoas que ainda nem nasceram. Um gesto de proteção pode acender uma reação em cadeia. Uma frase, uma carta, uma música ou uma lembrança atravessam o tempo como se carregassem uma espécie de herança emocional.

Tom Hanks divide a tela com um elenco forte: Halle Berry, Jim Broadbent, Hugo Weaving, Jim Sturgess, Ben Whishaw, Susan Sarandon, Hugh Grant, Keith David e Doona Bae estão entre os principais nomes. Muitos deles também interpretam mais de um papel, em diferentes períodos históricos. Essa escolha recebeu elogios pela ambição, mas também gerou debate, especialmente por causa de algumas caracterizações e maquiagens que hoje são vistas com mais reserva por parte do público.

Com quase três horas de duração, o filme nunca foi exatamente uma obra fácil de vender. Quando chegou aos cinemas, dividiu opiniões. Para alguns críticos, era longo, exagerado e irregular. Para outros, era uma tentativa rara de fazer ficção científica com emoção, filosofia e espetáculo visual em escala grande. Essa divisão ajudou a criar a reputação que o filme tem hoje: menos lembrado pelo público casual, mas defendido com entusiasmo por quem entrou na proposta.

A beleza citada por tantos fãs não está só nas imagens futuristas ou nos cenários grandiosos. Ela aparece principalmente na forma como o filme insiste em uma pergunta simples e incômoda: o que fazemos com o poder que temos sobre a vida dos outros? Em A Viagem, ninguém é pequeno demais para influenciar o curso da história. Um ato de bondade pode sobreviver ao próprio tempo. Um ato cruel também.

Essa é a razão pela qual o longa segue sendo chamado por muitos de uma das obras mais bonitas da ficção científica. Ele não tenta prever o futuro como um manual tecnológico. Prefere olhar para o comportamento humano e perguntar por que certos padrões se repetem, por que algumas pessoas rompem esses padrões e por que a liberdade, em qualquer época, quase sempre começa com alguém dizendo “não” a uma ordem injusta.

Para quem gosta de Tom Hanks em papéis mais conhecidos, como Forrest Gump, Náufrago ou O Resgate do Soldado Ryan, A Viagem pode soar como uma surpresa. É um filme mais estranho, mais arriscado e menos imediato. Ainda assim, talvez seja justamente essa ousadia que faça tanta gente tratá-lo como uma joia escondida.

Atualmente, A Viagem pode ser encontrado no Brasil no Paramount+ e em canais vinculados à plataforma. Também aparece em opções gratuitas com anúncios, como NetMovies e Runtime, segundo o guia JustWatch.

Leia tambémSérie de suspense da Netflix baseada em um dos livros mais famosos do mundo tem nota quase perfeita dos brasileiros

Leia tambémEx-namorados se reencontram após décadas e revivem 1º amor em filmaço arrebatador baseado em best-seller

Leia tambémSérie da Netflix sobre desastre nuclear que abalou o mundo tem apenas 8 episódios e conquistou 90% de aprovação do público

Compartilhe o post com seus amigos! 😉

Gabriel Pietro

Gabriel tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 10 mil textos assinados até aqui.

Recent Posts

Você só precisa observar 2 coisas para decifrar o verdadeiro caráter de uma pessoa

Caráter costuma aparecer antes da grande decisão, antes da crise, antes do discurso bonito. Ele…

19 horas ago

Dez anos longe dos pais, ela voltou com o filho e revelou por que nunca contou quem era o pai

Algumas famílias passam anos chamando de “vergonha” aquilo que nunca tiveram coragem de entender direito.…

19 horas ago

Ele nasceu pobre, virou lenda mundial e encontrou seu maior amor longe da fama

Antes de ser reconhecido pela voz grave, pelo olhar firme e pelo terno impecável de…

20 horas ago

O número de triângulos que você enxerga revela se você tem uma personalidade mais prática ou analítica

Algumas imagens parecem simples até o cérebro começar a discutir com ele mesmo. Você olha,…

20 horas ago

Cancelamento do plano de saúde: conheça seus direitos e os limites das operadoras

Por Nara Rúbia Cristina Ribeiro, advogada especializada em Direito da Saúde Imagine a cena: uma família,…

2 dias ago

BPC/LOAS: Você pode ter direito a um salário mínimo por mês!

Olá, sou Nara Rúbia Ribeiro, advogada, e hoje quero apresentar a você o Benefício de…

5 dias ago