Durante dois dias e meio, equipes de resgate trabalharam praticamente sem interrupção em um quintal de Midland, no Texas, enquanto milhões de pessoas acompanhavam pela televisão o esforço para retirar uma menina de apenas 18 meses de um poço estreito. O caso aconteceu em outubro de 1987 e transformou Jessica McClure em um dos rostos mais conhecidos daquele período nos Estados Unidos.
Jessica brincava com outras crianças no quintal da casa de uma tia quando caiu em um poço abandonado, com abertura de cerca de 20 centímetros. Ela ficou presa a aproximadamente 6,7 metros de profundidade. A queda aconteceu em 14 de outubro, e familiares perceberam rapidamente que a menina estava dentro da estrutura.
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A mãe, Cissy McClure, chamou a polícia. A partir daí, começou uma operação que envolveria bombeiros, paramédicos, especialistas em perfuração e trabalhadores acostumados ao terreno rochoso da região petrolífera do oeste do Texas.
O grande problema era chegar até Jessica sem provocar um novo desmoronamento ou feri-la. Como o poço era estreito demais para a entrada de um adulto, as equipes decidiram perfurar um segundo poço, paralelo ao original, e depois abrir uma passagem horizontal até o ponto em que a criança estava presa. O trabalho foi dificultado pela rocha dura encontrada no subsolo.
Durante as 58 horas em que permaneceu no local, Jessica ficou sem comida e água. Os socorristas conseguiam ouvi-la chorando e fazendo sons, uma indicação importante de que continuava consciente. O caso ganhou cobertura intensa das emissoras americanas, que acompanharam o resgate quase continuamente.
Em 16 de outubro, depois de aproximadamente 58 horas e meia, a menina finalmente foi retirada. As imagens de Jessica sendo levada para uma ambulância, com a cabeça protegida por curativos, foram transmitidas para uma audiência enorme. Ela chegou ao hospital em estado considerado grave, mas estabilizou pouco depois.
O tempo que Jessica passou presa deixou sequelas físicas importantes. A circulação sanguínea de sua perna direita foi prejudicada pela posição em que ela permaneceu no poço, e os médicos chegaram a considerar a possibilidade de amputar o pé. No fim, conseguiram preservá-lo, embora um dos dedos tenha sido removido devido à gangrena.
Ao longo dos anos seguintes, ela passou por 15 cirurgias relacionadas às lesões sofridas no acidente. O pé direito precisou ser reconstruído e permaneceu menor que o esquerdo. Jessica também ficou com uma cicatriz discreta na testa.
Curiosamente, ela não guarda lembranças do período em que esteve presa. Em entrevista à People, contou que só soube realmente da dimensão do caso quando era criança e assistiu a uma reconstituição do resgate no programa de televisão Rescue 911. Na ocasião, percebeu que a menina mostrada no episódio era ela própria.
Décadas depois, Jessica adotou uma vida bastante distante da exposição que teve na infância. Ela continuou vivendo no Texas e, em 2006, casou-se com Daniel “Danny” Morales. O casal teve dois filhos, Simon e Sheyenne. Atualmente, Jessica também é avó.
A história tem uma coincidência curiosa: Danny tinha 13 anos quando Jessica foi retirada do poço e acompanhou a notícia do resgate na época. Anos mais tarde, acabaria se casando com a menina que o país inteiro conhecia como “Baby Jessica”.
Jessica trabalhou durante anos como auxiliar de educação especial em uma escola primária. Informações mais recentes divulgadas pela People indicam que ela passou a trabalhar na área de horticultura e paisagismo em Midland.
A repercussão do resgate também levou pessoas de diferentes lugares a fazerem doações para um fundo criado em seu nome. O valor chegou a cerca de US$ 1,2 milhão. Parte significativa do dinheiro acabou sendo perdida durante a crise financeira de 2008, mas o restante contribuiu para a compra de uma casa.
Mesmo tantos anos depois, Jessica ainda é reconhecida ocasionalmente quando revela quem é. O episódio também chegou à geração seguinte: quando sua filha Sheyenne estava na escola, uma professora exibiu para a turma um vídeo sobre o famoso resgate depois de descobrir que a mãe da aluna era a “Baby Jessica”.
Jessica nasceu em março de 1986 e tinha 18 meses no momento do acidente. Em outubro de 2025, completaram-se 38 anos desde o resgate que mobilizou os Estados Unidos. Hoje, já adulta, casada, mãe e avó, ela praticamente não apresenta sinais visíveis do episódio que tornou seu nome conhecido internacionalmente ainda antes de completar 2 anos de idade.
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