Tem romance no cinema que nasce “bonito” e vai ficando dramático com o tempo. Amar (2017) faz o caminho inverso: ele já abre com pele, pressa, tesão e aquela sensação de que tudo precisa acontecer agora, como se o casal estivesse tentando provar o sentimento a cada cena.
E é justamente aí que o filme fica interessante — porque, quando a relação vira quase um teste de resistência, sobra pouco espaço para idealização.
Dirigido por Esteban Crespo (roteiro dele com Mario Fernández Alonso), Amar acompanha Laura (María Pedraza) e Carlos (Pol Monen), dois adolescentes de 17 anos vivendo o primeiro amor com intensidade máxima — e com um tipo de apego que mistura encanto com sufoco.
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A história se estende por cerca de 105 minutos, tempo suficiente para o filme ir mostrando como desejo, ciúme, insegurança e controle vão se empilhando no dia a dia.
O grande acerto é que o roteiro não tenta “embelezar” a dinâmica do casal. Laura quer autonomia, quer respirar longe do peso familiar (e, em vários momentos, a casa e a rua parecem pressionar do mesmo jeito).
Carlos, por outro lado, carrega um medo meio infantil de perder o lugar que conquistou — e esse medo aparece em atitudes pequenas, comentários atravessados, cobranças e um ciúme que vai contaminando tudo. A relação vira um ciclo: aproxima, gruda, briga, reconcilia, repete.
E sim: é um filme bem sexual, com cenas de intimidade filmadas de um jeito direto, sem aquele verniz “limpinho”.
Isso não serve só para chocar — serve para mostrar como, para eles, sexo e afeto estão amarrados, e como essa mistura pode virar confusão emocional.
A própria página do título na Netflix descreve essa passagem da paixão para o choque com a realidade.
O que pode dividir opiniões é o ritmo: Amar gosta de observar, insistir em situações, deixar o desconforto se acumular. Quem espera grandes reviravoltas talvez ache repetitivo; quem curte filme mais “de clima”, em que a tensão cresce nos detalhes, costuma comprar a proposta.
Veja o trailer:
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