Este morador de rua foi abordado por um voluntário próximo aos escombros do prédio que desabou no dia primeiro de maio, em São Paulo.
Veja o quanto a ética nas ruas pode ser muito superior à ética estampada nas fachadas de nossos Poderes constituídos.
“- E aí, mano? Cê é jornalista?
– Não. Moro aqui perto e trouxe uma doação.
– Esse pessoal precisa muito mais do que eu, que moro na rua.
– Conhecia alguém do prédio?
– Um monte! Tão falando que morreu só um mas eu sei que tem mais gente debaixo desse cimento.
– Qual o seu nome?
– Anderson. Tira uma foto minha pra sair no jornal?
– Não sou jornalista não, Anderson.
– Mas tira assim mesmo.
Depois da foto tirada, pediu pra dar uma olhada.
– Tô mais bonito nessa primeira, aqui. Todo mundo acha que a gente é ladrão. Não roubo nada de ninguém. Não uso droga. Só cato ‘minhas latinha’ e tomo ‘minhas cachaça’. Ontem, chegou uma Kombi cheia de leite e colocaram ali no chão, perto da igreja. Leite faz bem pra saúde. Deu vontade de pegar uma caixinha mas não fiz isso, não.
– E por quê não pegou?
– Porque não, mano! Ia ser um ‘baguio’ errado. Olha quanta criança tem aqui. O leite é delas…”
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