Psicologia e Comportamento

Nada é estranho. Estranho é não ser quem a gente é

A sociedade sempre se estruturou em cima de regras e padrões que se pretendem universais, desconsiderando completamente a subjetividade de cada um, que deve deixar de lado o seu eu pessoal, para se integrar a um eu comum a todos. Qualquer um que tente fugir desses padrões impostos logo recebe diversas alcunhas e, dentre estas, sem dúvida alguma aparece o termo “estranho”, como se este fosse um ser incapaz de dividir a convivência com os seres “normais”. Entretanto, em um mundo de iguais, ser “estranho” é algo ruim?

No mundo contemporâneo, que se diz ou se pretende plural, o que mais encontramos são pessoas iguais. Pessoas que agem segundo o combinado, a cartilha, o rebanho. Pessoas que fazem de tudo para serem aceitas e vistas como normais, ainda que por dentro sejam completas desconhecidas de si mesmas. O medo em ser “diagnosticado” como alguém diferente ou estranho, faz com que não raras vezes deixemos de agir de acordo com o que gostamos e queremos, para satisfazer os interesses de outros sujeitos, que se julgam no direito de determinar o que devemos ou não fazer.

Apesar de sermos seres sociais e em alguma medida necessitarmos da aceitação dos outros, o que de verdadeiramente bom ganhamos nos tornando forasteiros da nossa alma? De que adianta viver uma vida para agradar aos outros e desagradar a si próprio? Será que ser estranho é pior do que ser infeliz?

Segundo uma amiga minha – “Nada é estranho. Estranho é não ser quem a gente é”. Devo dizer que concordo plenamente com ela, já que sendo a vida extremamente curta, o máximo que pudermos fazer para que o que vivamos esteja em consonância com o que somos, até que uma e outra sejam uma coisa só, deve ser feita. E digo isso, porque quanto mais de nós enxergarmos na vida, mais da vida estará em nós, produzindo a sensação inigualável de felicidade por sentir que em nossa existência há algo de divino.

Não há como escapar do que somos. Podemos correr, fugir, tentar se esconder, mas uma hora o pano cai e, então, temos que nos encarar, não do lado de fora, mas do lado de dentro e neste momento passamos a ter a certeza de que estamos perdidos. Não dos outros, mas de nós.

Preciso reconhecer que é necessária muita coragem para assumir as rédeas da própria vida. No entanto, entregar-se aos padrões impostos por quem quer que seja, mesmo que traga certo comodismo, jamais conseguirá nos fazer feliz, já que uma cópia, por melhor que seja, nunca possuirá a mesma qualidade que a original.

É aquela velha história: quem renuncia as suas estranhezas, acaba por ocultar as suas belezas, pois é só nas profundezas do subterrâneo que encontramos aquilo que precisamos ser. O que em outras palavras quer dizer: seja você mesmo e saboreie as dores e as delícias de ser quem se é, porque como diria Paulo Leminski: “Isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é, ainda vai nos levar além”.

Erick Morais Morais

http://genialmentelouco.blogspot.com.br/ "Poderia dizer o que faço, onde moro; mas, sinceramente, acho clichê. Meus textos falam muito mais sobre mim. O que posso dizer é que sou um cara simples. Talvez até demais. Um sonhador? Com certeza. Mais que isso. Um caso perdido de poesia ou apenas um menestrel caminhando pelas ruas solitárias da vida.

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