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Esta atriz lendária perdeu sua voz icônica após uma cirurgia, mas os fãs ainda a consideram “uma das grandes vozes”

Durante décadas, a voz de Julie Andrews foi uma de suas marcas mais reconhecíveis. Ela ajudou a transformar musicais como Mary Poppins e A Noviça Rebelde em clássicos do cinema e sustentou uma carreira construída desde muito cedo sobre uma capacidade vocal incomum. Por isso, quando uma cirurgia realizada em 1997 comprometeu definitivamente sua voz para cantar, o impacto foi profundo tanto profissional quanto pessoalmente.

Quase três décadas depois, a atriz continua cercada de admiração. Aos 90 anos, Andrews fez uma rara aparição em maio de 2026, em um vídeo gravado para o 7º Congresso Mundial de Parkinson, realizado em Phoenix, nos Estados Unidos. A participação chamou atenção justamente porque ela tem evitado aparições públicas nos últimos anos.

No vídeo, Julie deu as boas-vindas aos participantes e destacou a importância das pesquisas em busca de uma cura para a doença de Parkinson. Ela afirmou conhecer bem o quanto a enfermidade pode ser devastadora e encerrou a mensagem demonstrando apoio ao chamado Red Thread Project, iniciativa ligada à comunidade reunida em torno do congresso.

A repercussão entre admiradores foi imediata. Nas redes sociais, muitos comemoraram a oportunidade de vê-la novamente. Entre os comentários publicados após a aparição, houve quem a descrevesse como uma das grandes vozes dos últimos cem anos, uma lembrança de como sua carreira continua associada ao canto mesmo tantos anos depois de ela perder a capacidade vocal que a tornou famosa.

Uma voz extraordinária desde a infância

Nascida em 1º de outubro de 1935, em Walton-on-Thames, na Inglaterra, Julie Andrews começou a se apresentar profissionalmente ainda criança. Sua formação vocal começou cedo e, aos 9 anos, ela já estudava com a professora Lilian Stiles-Allen, que permaneceria como uma referência em sua formação por décadas.

Antes de Hollywood, Andrews construiu carreira nos palcos. Nos anos 1950, estabeleceu-se na Broadway e ganhou destaque em produções como My Fair Lady e, posteriormente, Camelot. Seu salto definitivo para o cinema veio em 1964, quando interpretou a babá Mary Poppins em seu primeiro longa-metragem.

O papel lhe rendeu o Oscar de Melhor Atriz e fez seu nome alcançar o público internacional. Pouco depois, ela protagonizou A Noviça Rebelde, outro trabalho fortemente associado à sua capacidade de interpretar e cantar.

A combinação de extensão vocal, dicção precisa e domínio técnico fez com que o canto se tornasse inseparável de sua imagem pública. A própria atriz já disse que cantar era a parte mais importante de sua vida artística.

A cirurgia de 1997 mudou sua carreira

O ponto de ruptura ocorreu em 1997. Julie Andrews se submeteu a uma cirurgia na garganta para tratar um problema em uma das cordas vocais. Segundo seu relato posterior, esperava recuperar a voz após o procedimento. O resultado foi o contrário.

Em entrevista à AARP em 2019, ela contou que despertou da operação e percebeu que sua voz para cantar havia desaparecido. A perda provocou um período de depressão e uma sensação de ter perdido parte de sua própria identidade.

A situação acabou resultando em uma disputa judicial. Andrews entrou com um processo por negligência médica após o procedimento, que deixou sequelas permanentes e tornou impossível cantar como antes. Anos mais tarde, ela continuaria descrevendo a cirurgia como um acontecimento decisivo em sua vida.

O diagnóstico inicial também foi alvo de confusão ao longo do tempo. Andrews esclareceu posteriormente que o problema não era câncer. Segundo ela, havia uma alteração nas cordas vocais relacionada ao uso prolongado da voz, desenvolvida durante sua carreira.

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A escrita abriu outro caminho

Sem poder continuar cantando da mesma maneira, Julie Andrews encontrou outra atividade criativa. Ela passou a escrever livros infantis ao lado da filha, Emma Walton Hamilton, trabalho que se transformou em uma nova etapa profissional.

A parceria resultou em dezenas de livros. Em uma entrevista de 2024, Andrews contou que continuava trabalhando como autora e reconheceu que ainda sentia muita falta de cantar, embora tivesse aprendido a reorganizar a vida em torno de outras formas de expressão.

Mesmo afastada dos musicais, ela continuou atuando com a voz falada. Nos últimos anos, uma de suas participações mais conhecidas tem sido como a narradora Lady Whistledown na série Bridgerton, da Netflix.

Sua aparição no Congresso Mundial de Parkinson, em maio de 2026, tornou-se especialmente comentada porque Andrews vinha mantendo uma rotina pública bastante discreta. Sua última grande aparição presencial anterior havia ocorrido em 2023, durante uma homenagem a Carol Burnett.

Quando ela voltou a aparecer em vídeo três anos depois, os comentários dos fãs mostraram que a associação com sua antiga voz permanece intacta. Mesmo sem cantar há décadas, Julie Andrews continua sendo lembrada pelo público a partir justamente da característica que a cirurgia de 1997 lhe tirou.

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Gabriel Pietro

Gabriel tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 10 mil textos assinados até aqui.

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