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Esse suspense tenso da Netflix dividiu opiniões e tem um final de explodir a cabeça!

Existem propostas que parecem ruins desde o primeiro segundo. Outras vêm acompanhadas de tantos zeros que fazem até convicções antigas começarem a parecer negociáveis. É nessa segunda categoria que “Dilema” constrói sua história: uma oferta financeiramente irresistível, uma condição pessoal bastante questionável e consequências que rapidamente deixam de caber nas cláusulas de um contrato.

Lançada pela Netflix em 2019, a produção criada por Mike Kelley tem dez episódios e acompanha Lisa Donovan (Jane Levy), uma cientista que tenta desesperadamente conseguir dinheiro para manter sua startup médica funcionando. A solução surge na figura de Anne Montgomery, poderosa investidora interpretada por Renée Zellweger, que demonstra disposição para financiar o negócio.

O dinheiro, claro, vem com uma condição. E uma bem específica.

Anne exige passar uma noite sozinha com Sean (Blake Jenner), marido de Lisa. O que ocorrer durante o encontro deverá permanecer em segredo. Diante da possibilidade de salvar a empresa, Lisa e Sean concordam com a proposta.

A partir daí, o verdadeiro preço começa a aparecer.

Um contrato que custa bem mais do que dinheiro

A premissa lembra deliberadamente Proposta Indecente, mas troca a configuração dos personagens e usa o acordo inicial como ponto de partida para uma trama consideravelmente maior. Anne oferece US$ 80 milhões para a empresa de Lisa, enquanto exige a noite com Sean como parte da negociação.

A pergunta mais interessante, portanto, deixa rapidamente de ser se Sean teve ou não algum envolvimento sexual com Anne.

O que passa a importar é outra coisa: o que ele está escondendo?

Lisa percebe que o marido voltou diferente daquela noite, enquanto Anne utiliza dúvidas, informações privilegiadas e vulnerabilidades pessoais para interferir diretamente na relação dos dois.

O acordo financeiro começa a funcionar como uma espécie de experimento sobre confiança. Quanto mais Lisa tenta descobrir o que aconteceu, mais difícil se torna separar fatos, suspeitas e provocações calculadas pela investidora.

É aí que “Dilema” encontra sua melhor característica: a série entende que um segredo pode causar estragos mesmo antes de ser revelado.

Renée Zellweger transforma Anne Montgomery na principal atração

Embora Lisa e Sean sejam o casal no centro do conflito, Renée Zellweger domina boa parte da produção.

Anne Montgomery fala pouco, controla quase todas as conversas e dificilmente demonstra algo sem uma intenção por trás. Zellweger aposta em uma atuação propositalmente calculada, com pausas, olhares prolongados e frases que frequentemente parecem esconder uma segunda mensagem.

A personagem também evita ser reduzida à simples investidora milionária interessada pelo marido de outra mulher. Aos poucos fica evidente que Anne possui motivações particulares para interferir na vida de Lisa e que seu dinheiro serve principalmente como ferramenta para exercer controle.

Esse componente psicológico sustenta vários dos melhores confrontos da temporada.

Jane Levy funciona bem como contraponto. Lisa começa como alguém extremamente segura de suas convicções, mas vai perdendo essa estabilidade quando percebe que praticamente todas as pessoas ao redor parecem esconder alguma coisa.

Blake Jenner recebe material mais irregular como Sean, principalmente porque alguns mistérios envolvendo seu passado exigem que o personagem prolongue determinados segredos por conveniência do roteiro.

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A série exagera. Bastante. E sabe disso

Quem procura um drama realista provavelmente vai estranhar “Dilema”.

A trama abraça reviravoltas, chantagens, crimes, segredos antigos, relacionamentos problemáticos e revelações colocadas cuidadosamente no fim dos episódios. A conexão com Revenge não ocorre por acaso: Mike Kelley também criou a série protagonizada por Emily VanCamp.

Há momentos em que esse excesso funciona muito bem porque cria aquela incômoda vontade de assistir ao episódio seguinte mesmo quando determinada situação parece exagerada.

Em outros, cobra seu preço.

Além da disputa entre Lisa, Sean e Anne, “Dilema” acompanha histórias paralelas envolvendo pessoas próximas ao casal. Algumas ajudam a desenvolver a ideia de escolhas moralmente difíceis; outras parecem competir pelo tempo da trama principal.

O resultado é uma série que frequentemente acrescenta mais uma complicação quando poderia simplesmente explorar melhor a anterior.

Essa característica dividiu bastante a recepção da produção. Houve avaliações elogiando principalmente o suspense e as constantes viradas, enquanto outras foram bem menos generosas com os excessos do roteiro.

O suspense funciona justamente quando ninguém parece confiável

“Dilema” ganha força conforme muda a pergunta apresentada inicialmente.

A questão deixa de ser “você permitiria que seu parceiro passasse uma noite com outra pessoa em troca de milhões?” e passa a envolver algo mais complicado: até onde alguém consegue manter seus princípios quando carreira, casamento, família e futuro começam a entrar em conflito?

Anne explora exatamente essas rachaduras.

Ela não precisa obrigar seus alvos a fazer quase nada. Basta descobrir aquilo que cada pessoa deseja ou teme perder e colocar uma escolha na frente dela.

Por isso, os episódios funcionam melhor quando deixam as grandes revelações temporariamente de lado e colocam dois personagens frente a frente negociando informações, confiança ou poder.

Vale a pena assistir “Dilema”?

Sim, principalmente para quem gosta de suspenses dramáticos cheios de segredos e reviravoltas, desde que exista certa tolerância para situações deliberadamente exageradas.

Os dez episódios poderiam ser mais enxutos e algumas tramas paralelas desviam atenção demais do conflito principal. Ainda assim, Anne Montgomery oferece à série uma antagonista difícil de ignorar, enquanto a estrutura de capítulos deixa pequenos mistérios suficientes para manter o interesse.

“Dilema” está disponível na Netflix e tem Renée Zellweger, Jane Levy e Blake Jenner nos principais papéis. A classificação indicada pela plataforma no Brasil é 16 anos.

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Gabriel Pietro

Gabriel tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 10 mil textos assinados até aqui.

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