Faye Dunaway passou boa parte das últimas décadas longe da exposição constante que acompanhou sua carreira no auge de Hollywood. Aos 85 anos, a atriz continua fazendo aparições públicas pontuais e voltou aos holofotes recentemente justamente por causa de um dos trabalhos que ajudaram a transformá-la em uma das grandes estrelas do cinema americano.
Em maio de 2026, Dunaway participou do TCM Classic Film Festival, em Hollywood, para uma sessão especial de Network, lançado em 1976. Foi uma rara aparição pública da atriz, que surgiu no tapete vermelho durante a celebração dos 50 anos do filme.
A ocasião teve um significado especial. Foi justamente por sua atuação em Network, no papel da ambiciosa executiva de televisão Diana Christensen, que Dunaway conquistou o Oscar de melhor atriz na cerimônia realizada em 1977. O longa recebeu dez indicações e terminou aquela edição com quatro estatuetas.
Nascida em 14 de janeiro de 1941, em Bascom, na Flórida, Dorothy Faye Dunaway construiu uma filmografia marcada por personagens intensas e frequentemente difíceis de esquecer. Ela ganhou projeção internacional em 1967 ao interpretar Bonnie Parker em Bonnie e Clyde, ao lado de Warren Beatty, papel que lhe rendeu sua primeira indicação ao Oscar.
Nos anos seguintes, tornou-se presença frequente em produções importantes. Atuou com Steve McQueen em Crown, o Magnífico, com Jack Nicholson em Chinatown, com Robert Redford em Três Dias do Condor e, finalmente, alcançou a vitória no Oscar com Network. Sua carreira também lhe rendeu três Globos de Ouro.
Embora Dunaway tenha acumulado vários filmes prestigiados, um de seus trabalhos mais conhecidos pelo público acabou se tornando também um dos mais controversos de sua trajetória.
Em 1981, ela interpretou a atriz Joan Crawford em Mamãezinha Querida (Mommie Dearest), adaptação do livro publicado por Christina Crawford, filha adotiva da estrela de Hollywood. A produção retrata uma relação familiar marcada por conflitos e abusos e acabou ganhando status de filme cult com o passar dos anos.
A interpretação extremamente intensa de Dunaway como Crawford gerou cenas que permaneceram ligadas à imagem da atriz por décadas. O problema, segundo ela própria, é que essa associação acabou afetando a maneira como Hollywood e o público passaram a enxergá-la.
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Em entrevista divulgada em 2016, Dunaway afirmou acreditar que o filme direcionou sua carreira para um caminho no qual as pessoas passaram a ter uma impressão equivocada sobre ela. Também reconheceu que, olhando para trás, teria pensado melhor antes de aceitar o trabalho.
Isso não diminuiu o reconhecimento conquistado anteriormente. Além do Oscar e dos Globos de Ouro, Dunaway recebeu um Emmy em 1994 como atriz convidada por sua participação em Columbo.
Enquanto trabalhava com alguns dos atores mais conhecidos de sua geração, Dunaway procurava separar relacionamentos pessoais e profissionais.
Em entrevistas, ela contou que evitava se envolver romanticamente com colegas durante as filmagens por acreditar que isso poderia prejudicar tanto a atuação quanto o próprio filme.
Uma das exceções ocorreu no fim dos anos 1960. Durante as gravações de Amantes, Dunaway se envolveu com o ator italiano Marcello Mastroianni. O relacionamento durou alguns anos, mas terminou sem que os dois permanecessem juntos.
Mais tarde, ela foi casada com Peter Wolf, vocalista da banda The J. Geils Band, entre 1974 e 1979. Anos depois, casou-se com o fotógrafo britânico Terry O’Neill. Os dois tiveram um filho, Liam, e se divorciaram em 1987.
Com o passar do tempo, Dunaway passou a viver de maneira consideravelmente mais reservada. Em uma entrevista concedida em 2016, declarou que sempre foi muito solitária, embora continuasse aberta à possibilidade de encontrar um companheiro.
Mesmo com períodos de afastamento, Dunaway nunca anunciou uma aposentadoria definitiva.
Em 2022, apareceu em The Man Who Drew God, filme dirigido por Franco Nero. A informação presente em alguns perfis antigos de que esse teria sido seu último trabalho, entretanto, já não resume corretamente sua atividade recente.
Em 2024, a atriz foi o centro do documentário Faye, dirigido por Laurent Bouzereau e exibido pela HBO. Na produção, ela revisita episódios de sua carreira e de sua vida pessoal, incluindo o sucesso obtido muito cedo em Hollywood e as dificuldades enfrentadas ao longo das décadas. A própria HBO descreve o filme como um retrato no qual Dunaway fala abertamente sobre os momentos de triunfo e os desafios de sua trajetória.
Ela também permaneceu ligada a novos projetos de ficção. Entre os títulos associados à atriz está Fate, produção com Harvey Keitel, Andrew McCarthy, Mena Suvari e Brandon Routh, registrada como concluída.
Sua aparição no festival da TCM em maio de 2026 mostrou uma Dunaway bem diferente da personagem frenética de Network ou da Joan Crawford de Mamãezinha Querida. Aos 85 anos, ela mantém uma rotina pública discreta e aparece principalmente em eventos relacionados ao próprio legado no cinema.
Cinco décadas depois de interpretar Diana Christensen, Dunaway voltou ao TCL Chinese Theatre justamente para celebrar o filme que lhe deu o maior prêmio de sua carreira. Para quem acompanhou sua fase de maior sucesso nos anos 1960 e 1970, foi também uma rara oportunidade de ver como está atualmente uma das atrizes mais reconhecíveis daquela geração.
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