Indicação de Filme

Esse romance escondido na Netflix está fazendo muita gente repensar a própria vida amorosa

Tem filme que não tenta vender “amor que resolve tudo”. Ele só coloca duas pessoas reais numa mesma história, com bagagens diferentes, desejos meio tortos e uma vontade honesta de recomeçar — nem que seja devagar.

“Amores Solitários” (na Netflix) é desse tipo: mais pé no chão, com humor discreto e um clima gostoso de acompanhar, sem forçar lição de moral nem final “certinho”.

Quando a diferença de idade não é o “truque”, e sim o problema (e a graça)

O filme entra num assunto que muita gente comenta, mas pouca obra trata com cuidado: relacionamentos em que a mulher é mais velha e o homem mais novo. Só que aqui isso não aparece como provocação barata nem como “polêmica” pronta.

A diferença de idade vira mais um detalhe que muda a dinâmica do casal — desde como cada um enxerga o futuro até o jeito de lidar com inseguranças, rotina, expectativas e o olhar dos outros.

Em vez de transformar isso num debate de internet, a história prefere mostrar o que acontece na prática: dois adultos tentando se entender, cada um no seu momento de vida, e pagando o preço por escolhas que nem sempre são fáceis de explicar.

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Uma escritora travada, um cara enrolado e um lugar que bagunça tudo

A protagonista, Katherine, tem 57 anos e vai para um retiro de escritores em Marraquexe, no Marrocos, com um objetivo simples: terminar um livro.

Só que o bloqueio criativo dela não é “falta de inspiração”; é o reflexo de um período bagunçado depois de um casamento que acabou deixando marcas — inclusive aquela sensação chata de ter sido lida de um jeito injusto por quem esteve mais perto.

Do outro lado está Owen, 33 anos, administrador (e bem mais perdido do que gosta de admitir). Ele não consegue encerrar um relacionamento que já passou do prazo e vive num vai-e-volta emocional que cansa — nele e em quem está por perto.

Os dois se cruzam nesse cenário de retiro, conversas atravessadas e noites em que ninguém está exatamente bem… e é justamente aí que a história começa a funcionar.

O filme prefere conflito de verdade, não “frases bonitas”

O roteiro acerta por não ficar tentando convencer o público de que tudo é destino. O que aproxima Katherine e Owen é menos “encantamento” e mais reconhecimento: aquela percepção incômoda de que a vida, às vezes, empurra a gente para encarar o que vinha sendo ignorado.

E isso inclui culpa, medo de recomeçar, orgulho, carência, vontade de ser visto de outro jeito — e a dificuldade enorme de mudar sem se desmontar inteiro.

O filme também é esperto em mostrar que fracassos não são só “quedas dramáticas”: às vezes são escolhas pequenas acumuladas, relações que vão murchando, promessas que a gente faz pra si e empurra com a barriga.

E quando isso estoura, não estoura com música grandiosa — estoura com silêncio, irritação boba, conversa torta e aquela sensação de “como eu vim parar aqui?”.

Laura Dern e Liam Hemsworth seguram a história com naturalidade

Laura Dern dá à Katherine uma mistura boa de firmeza com vulnerabilidade: ela parece alguém que já viveu muito, mas ainda sente tudo.

Liam Hemsworth surpreende porque o personagem dele não fica preso no estereótipo do “cara mais novo charmoso”: ele tem indecisão, vergonha, contradição — e isso deixa a relação menos “idealizada” e mais crível.

E o melhor: a direção evita o caminho fácil de transformar a dupla num romance padrão.

Tem uma cena específica (daquelas que mudam o clima do filme) em que fica claro que a história não está interessada em vender fantasia, e sim em mostrar intimidade de verdade — com desconforto, humor e honestidade.

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Gabriel Pietro

Gabriel tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 10 mil textos assinados até aqui.

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