Não há como passar desatento por esta belíssima escultura, não é mesmo? O mármore, em sua natureza bruta, já é belíssimo, quanto mais se tocado pelas mãos dos mestres escultores do século XVIII. No caso desta escultura de Queirolo, a beleza é capaz de tocar a alma.
O escultor Francesco Queirolo (1704-1762), nascido em Gênova, formou-se com Giuseppe Rusconi em Roma durante o período barroco e esculpiu as estátuas de São Carlos Borromeu e São Bernardo na fachada de Santa Maria Maggiore .
Em 1752, na Cappella Sansevero em Nápoles, Queirolo começou a trabalhar em Il Disinganno ( A desilusão) ou The Release from Deception , que foi dedicado por Raimondo di Sangro a seu pai Antonio, duque de Torremaggiore.
A escultura foi feita em um único bloco sólido de mármore e nos apresenta uma rede de pesca, esculpida com detalhes delicados e inacreditáveis, colocada sobre um homem, de frente para um anjo. A delicadeza e o detalhamento da rede se tornaram legado do artista e, ao longo dos séculos, deixaram maravilhados quem viu a escultura.
Queirolo demorou sete anos a terminar e fez tudo sozinho, sem oficina, aprendiz ou artesãos com perícia no polimento de mármore. Mesmo escultores especializados se recusaram a tocar na delicada rede com medo de danificá-la ou quebrá-la, segundo o Museu da Capela de Sansevero.
Dependendo do observador, o simbolismo mostrado na escultura pode ser interpretado como bíblico ou profano: um anjo parado em um globo desembaraça um pescador preso em uma rede de pesca.
Segundo o Museu, a rede simboliza o pecado. O anjo desenreda a rede e liberta o homem, livrando-o de seus pecados e oferecendo-lhe uma Bíblia que repousa a seus pés. Queirolo acentua a ideia de libertação ao adicionar uma passagem em latim que diz: “Vou quebrar tua corrente, a corrente das trevas e da longa noite da qual és escravo, para que não sejas condenado com este mundo”.
A escultura também inclui símbolos seculares, como a chama na cabeça do anjo, que representa o intelecto humano e o globo significa paixões mundanas. No conjunto, os símbolos correspondem à dedicação de Raimondo ao pai, à ideia de “fragilidade humana, que não conhece grandes virtudes sem vício”.
Fonte: The Mind
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