O fotógrafo
Difícil fotografar o silêncio.
Entretanto tentei. Eu conto:
Madrugada a minha aldeia estava morta.
Não se ouvia um barulho, ninguém passava entre as casas.
Eu estava saindo de uma festa.
Eram quase quatro da manhã.
Ia o Silêncio pela rua carregando um bêbado.
Preparei minha máquina.
O silêncio era um carregador?
Estava carregando o bêbado.
Fotografei esse carregador.
Tive outras visões naquela madrugada.
Preparei minha máquina de novo.
Tinha um perfume de jasmim no beiral de um sobrado.
Fotografei o perfume.
Vi uma lesma pregada na existência mais do que na
pedra.
Fotografei a existência dela.
Vi ainda um azul-perdão no olho de um mendigo.
Fotografei o perdão.
Olhei uma paisagem velha a desabar sobre uma casa.
Fotografei o sobre.
Foi difícil fotografar o sobre.
Por fim eu enxerguei a ‘Nuvem de calça’.
Representou para mim que ela andava na aldeia de
braços com Maiakowski – seu criador.
Fotografei a ‘Nuvem de calça’ e o poeta.
Ninguém outro poeta no mundo faria uma roupa
mais justa para cobrir a sua noiva.
A foto saiu legal.
– Manoel de Barros, em “Ensaios fotográficos”. Rio de Janeiro: Editora Record, 2000.
Abaixo, quem declama o poema é Antonio Abujamra:
Escolher uma casa envolve muito mais do que avaliar tamanho, beleza ou localização. Mesmo diante…
A forma como uma pessoa ocupa a cama pode mudar várias vezes durante a noite.…
Algumas escolhas são feitas antes mesmo de encontrarmos uma explicação lógica para elas. Um olhar,…
Uma cama costuma ser escolhida pelo conforto, mas o ambiente ao redor dela também pesa…
Quando Preely Coleman começou a falar, boa parte dos norte-americanos que haviam nascido durante a…
Há fotografias antigas que exigem alguns segundos até serem compreendidas. Em uma delas, registrada no…