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Covarde é quem usa o poder para diminuir o outro

Todos conhecemos alguém que vive humilhando quem se encontra ao redor, especialmente quem se encontra em uma posição inferior, seja no trabalho, em casa, na escola, seja na rua. São pessoas que confundem hierarquia com autoritarismo, autoridade com subserviência, geralmente dando a si mesmo um importância muito maior do que a verdadeira.

Patroas que destratam faxineiras, chefes que gritam com os subordinados, políticos que desrespeitam o cidadão comum, são inúmeros os exemplos de pessoas que se sentem acima do bem e do mal simplesmente porque subiram um mísero degrau social. E, assim, usam do que acreditam ser um poder, para maltratar quem comandam e tiranizar o ambiente no qual se sentem o cabeça.

Na verdade, a hierarquia deve servir para que haja uma liderança, que comanda, ordena, distribui tarefas, no sentido de que o líder seja alguém respeitado pelas suas qualidades profissionais e humanas, alguém que caminha junto, pois faz parte do corpo coletivo. Infelizmente, há quem use a liderança como instrumento de autoridade tirana e antidemocrática, pisando aqueles que julga inferiores.

Nesse contexto, muitos de nós nos sentiremos rebaixados, humilhados e feridos por nossos superiores, em vários momentos de nossas vidas, porque sempre existirão pessoas covardes que, além de abusar do poder que tomam para si, descontam sua raiva justamente em quem não tem nada a ver com ela. Covardes, porque, em vez de enfrentarem a pessoa que lhes desagrada, engolem sapos e vêm estourar para cima de quem depende daquele emprego para sobreviver, de quem, muitas vezes, não teria como se defender.

Uma das regras básicas de convivência é o respeito com quem quer que seja, qualquer que seja sua posição, mesmo que o outro pense de forma diversa, ainda que a presença alheia seja insuportável. Todos temos a capacidade de nos posicionarmos e de nos fazermos respeitar, sem que precisemos humilhar e espalhar o temor ao nosso redor. Respeito é algo que se constrói ao longo da convivência, a partir da confiança mútua e não da tirania unilateral. A tirania é um ato covarde, simplesmente porque passa por cima de qualquer resquício de afetividade que sempre deverá permear os relacionamentos humanos. Sempre.

Marcel Camargo

Graduado em Letras e Mestre em "História, Filosofia e Educação" pela Unicamp/SP, atua como Supervisor de Ensino e como Professor Universitário e de Educação Básica. É apaixonado por leituras, filmes, músicas, chocolate e pela família.

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Marcel Camargo

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