Abaixo seguem duas pontuações acerca do “Bela, recatada, do lar”, título de um artigo da Revista Veja que fez com que as redes sociais se “rebelassem”, povoando a internet com dizeres e fotos que nos levam a refletir a quem interessa a padronização da mulher brasileira.
A Revista Pazes também quer saber a sua opinião. Seus comentários e reflexões enobrecem este espaço.
E não te cabe o direito de cansar. Te cabe a opção de inventar alternativas. Não ligar, encarar de volta ou voltar pra casa.
E eu faço de cada pequeno comentário , como o de hoje, uma grande oportunidade para mostrar como o preconceito é presente em todos os dias das nossas vidas. E quando a gente passa a pensar nele, através das miudezas, ele tende a diminuir. Um pouquinho de cada vez. Então, expanda seu pensamento. Tente olhar além do seu comentário. Você vai se surpreender…
Odette Castro, design de eventos e escritora –autora do livro “Rubi” que retrata a sua desafiadora convivência com a filha caçula, portadora da Síndrome de Rubinstein-Taybi
Basta catar miudezas preciosas do cotidiano para ver o que está em jogo. Belas, recatadas e do lar sempre nutriram o imaginário do patriarcado, mantendo, em correntes seculares, os modelos de conjugalidade e moralidade do ideário romântico. Mas, se nos dispusermos,
Belas, recatadas e do lar são o silêncio necessário à manutenção do “status quo”. São as boas impressões, ensaiadas exaustivamente nos púlpitos da hipocrisia, tendo como exemplo sumarento as cenas de beleza, recato e domesticidade que vimos no “freak show” do último domingo. Belos, enclausurados e domesticados não sairão às ruas, nunca questionarão noticiários, e o único spray de pimenta que lhes chegará às retinas será o de receitas culinárias, em vasilhames belos, contidos, no lar.
Quero o avesso.
Luiz Fernando Braga, professor de Língua Portuguesa e Literatura da Universidade Federal Fluminense/Coluni (Niterói-RJ)
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