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Após ser denunciado por fazer cirurgias de graça para pessoas carentes, dentista tem reviravolta em processo ético

Em um país onde muita gente passa anos esperando por atendimento especializado, a atitude de um profissional de saúde pode virar alívio para uns — e motivo de incômodo para outros. Foi o que aconteceu com o dentista catarinense Guilherme Henrique Raulino Brasil, conhecido pelo trabalho com cirurgias de reconstrução facial voltadas a pacientes sem condições de pagar pelos procedimentos.

O processo ético aberto contra ele no Conselho Regional de Odontologia de Santa Catarina, o CRO-SC, foi arquivado. Segundo as informações divulgadas, o órgão extinguiu a ação por entender que não houve infração ética na conduta do profissional.

Guilherme havia sido denunciado por colegas de profissão por realizar cirurgias gratuitas para pessoas em situação de vulnerabilidade. O caso chamou atenção justamente pelo contraste: de um lado, pacientes que precisavam de atendimento; do outro, questionamentos sobre as regras da profissão e os limites da gratuidade na odontologia.

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O dentista atua em Palhoça, na Grande Florianópolis, e é um dos nomes ligados ao Projeto Leozinho, iniciativa que oferece procedimentos de reconstrução facial a pessoas de baixa renda.

Reportagem do ND Mais informou que o projeto atende pacientes que precisam de reabilitação funcional e estética e que não teriam condições de arcar com esse tipo de tratamento na rede privada.

Antes do arquivamento, Guilherme já havia encontrado uma saída simbólica para seguir com os atendimentos: passou a cobrar R$ 1 pelos procedimentos.

A medida foi adotada justamente para contornar a interpretação de que a gratuidade poderia ferir normas da categoria. Segundo o Só Notícia Boa, ele chegou a afirmar que, caso o paciente não tivesse o valor, poderia pagar com algo simples, como pão ou ovos.

A discussão ganhou força porque o Código de Ética Odontológica trata a oferta de serviços gratuitos com restrições, especialmente quando há possibilidade de remuneração ou quando a prática pode ser usada como forma de captação de pacientes. O próprio Conselho Federal de Odontologia disponibiliza o Código de Ética como referência para orientar a conduta dos profissionais da área.

No caso de Guilherme, porém, o entendimento que levou ao arquivamento foi outro: não teria havido infração ética. A decisão muda o tom da história, porque tira o dentista da posição de investigado e reforça o caráter social do trabalho realizado por ele.

A situação também levantou uma pergunta incômoda: até que ponto uma regra pensada para evitar abusos comerciais pode acabar atingindo projetos voltados justamente a quem ficou sem alternativa? No caso do dentista catarinense, os atendimentos eram destinados a pessoas carentes, muitas delas com demandas complexas, como deformidades, sequelas de acidentes e necessidade de reconstrução facial.

A atuação de Guilherme já havia repercutido nas redes sociais antes do arquivamento do processo. Publicações sobre o caso destacavam que ele seguia atendendo pacientes de baixa renda mesmo após as denúncias, adaptando o projeto para a cobrança simbólica de R$ 1.

Com o processo encerrado, o dentista deixa para trás a acusação ética e segue associado a uma iniciativa que, para muitos pacientes, representa a chance de recuperar funções básicas, autoestima e qualidade de vida.

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Gabriel Pietro

Gabriel tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 10 mil textos assinados até aqui.

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