Texto de Marcel Camargo
Em todo relacionamento existem desgastes, cansaços, algo que satura em algum aspecto. Conviver é uma arte, pois ali se encontram vidas que chegam de lugares diferentes e de trajetórias únicas. Sem disposição de se colocar no lugar do outro, jamais haverá entendimento, ajuste, acomodação.
E, nessa dinâmica de acertos e erros, enquanto as pessoas vão se conhecendo e se acomodando nos seus respectivos espaços, a fim de não ultrapassarem os limites alheios, serão necessários confrontos, debates e situações incômodas. Não existe relacionamento que consiga dar certo, sem que haja sinceridade suficiente para que se exponha o que incomoda, o que deve ser mudado e repensado e até mesmo o que faz bem.
Quem ama de verdade não aceita tudo e, por isso mesmo, deixa claro o que incomoda, alertando o outro de seus comportamentos nocivos, na tentativa de preservar o que sente, o que tem, o que pensa. Embora precisemos aceitar o que não pode mudar, é preciso entender que existe muito, sempre, a ser melhorado. Não existe sentimento que consiga esperar para sempre.
Relacionamentos saudáveis são construídos com o tempo, por meio de conversas sinceras, que implicam a necessidade de se abrirem concessões, de sair do próprio mundinho e enxergar o outro, enxergar tudo de nós que chega ao outro, de bom e de ruim. O que for bom então fica e o que for ruim tem que sair.
Não podemos é achar que a pessoa está deliberadamente implicando conosco, criticando sem razão. Amar requer corrigir aquilo que fere e desgasta a relação, requer mudança de comportamento. O contrário disso é a indiferença, o tanto fez como tanto faz. Geralmente, quando cessam os diálogos, o outro já desistiu de lutar, já desistiu de nós. Aí já era.
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