Artes

Guernica: a impressão subjetiva de um gênio cubista

Por Rogério Fernandes Lemes

Pablo Picasso é considerado um dos pais do cubismo. Uma de suas principais criações ou a mais famosa delas é a tela Guernica, com dimensões consideráveis de 3,49 por 7,76 metros pintada a óleo sobre tela. As motivações que levaram o artista espanhol a pintá-la é um manifesto repúdio ao bombardeio alemão à Gernika, um vilarejo da província da Biscaia, país Basco, com sete mil pessoas aproximadamente.

Guernica é uma obra de arte que retrata os horrores da insanidade humana; a negação do “outro” como semelhante, em um claro desprezo à vida em nome do aprimoramento das técnicas militares de guerra. Relatos históricos apontam para uma resposta incisiva de Pablo Picasso a um oficial nazista. Durante uma busca pessoal no apartamento do pintor, o oficial vê Guernica em um recorte de jornal e pergunta se foi Picasso quem pintou o desenho. O gênio cubista dispara como um morteiro: “não, vocês fizeram isso”.

A semiótica da pintura revela detalhes incógnitos. Além das expressões de terror surrealistas da obra alguns elementos frágeis, como uma flor ao centro e próximo a uma das patas do cavalo, representando a fragilidade da vida humana em um estado puro de barbárie e caos.

O contexto histórico aponta para uma Espanha em intenso conflito entre forças Republicanas e Nacionalistas, bem como um ódio instaurado e alimentado por interesses econômicos. Picasso utiliza-se das técnicas cubistas e surrealistas para pintar Guernica com formas geometricamente decompostas em uma retratação monocromática, predominantemente nas cores preto e branco, com realces de azul e bege, que representam a vida sucumbida pela guerra. Elementos culturais evidenciam-se na tela através do cavalo e do touro, em uma clara denúncia de ataque aos ideais espanhóis.

Ao centro da tela, um soldado caído segurando sua espada quebrada. Essa imagem aponta para uma ameaça à soberania espanhola e a derrota do povo. Ainda que a tela remeta a uma ideia de figuras formadas pela técnica de colagem de objetos e folhas de jornais, não passa de uma ilusão de pintura e uma demonstração da genialidade do pintor. Uma possível interpretação disso seria a ideia de que Picasso toma ciência da guerra civil por maio dos jornais
.
A tela encontra-se no Museu Reina Sofia, em Madri e continua um símbolo do que os humanos são capazes de fazer pelos motivos mais fúteis possíveis em relação à vida humana.

ROGÉRIO FERNANDES LEMES

Sociólogo, poeta, escritor, idealizador e responsável pela edição geral da Revista Criticartes.

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