Não terei tempo para o adeus, atônita, ficarei me perguntando dessas estradas inéditas na vida da gente, travessias que trarão dias de cansaço, comida brigando com o paladar, embrulho no estomago, disparos no peito, coração sangrando.
Seu quarto, esse lugar de repouso de tudo o que você é, será uma das vozes mais doloridas dessa saudade. Percorrerei as gaveta e armários, me debruçarei sobre suas roupas, tentativas bobas de eternizar seu cheiro. No varal, o vento fará parte dessa espera, me dirá sobre os dias frios que repousarão em meus quintais.
Terei dias que anoitecerão, em desarmonia com o tempo dos homens, nada saberei sobre as horas, os dias da semana ou o ano em que estamos. Hesitarei diante das suas fotografias, como criança amedrontada e, ao mesmo tempo, corajosa, circularei em volta delas, indecisa sobre o destino do amor.
Amanhecerei trezentas mil vezes, buscando explicações que acalmem meu coração, perdida nesse labirinto de amor e dor, tentando alcançar seus sonhos que se perderam nas nuvens e que, agora, fazem parte do céu.
Seguirei, carregando você nos lugares mais íntimos do meu coração, certa que somos tudo quando entendemos que somos nada, certa que a eternidade é um lugar interno, que a gente não toca, não controla e não retém, apenas sente. Nos finais de tarde e noites enluaradas, teremos longas conversas internas, contarei sobre essa travessia, as tantas lágrimas, pesadelos e sonhos que percorri até te encontrar no entardecer e no luar e, somente então, minhas mãos dirão adeus, certa que cheguei até o nosso “pra sempre” .
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