Tem filme que dá susto, tem filme que dá vontade de pausar pra respirar… e tem aquele tipo que mexe com você num nível meio “ok, por que eu estou me sentindo culpado/ansioso/confuso se eu só estou sentado no sofá?”.
A lista abaixo (indicada pelo psicanalista João Guilherme Amatti) é desse segundo grupo: histórias que cutucam escolhas morais, memória, percepção e aquela mania humana de tentar “consertar” o que já aconteceu — mesmo quando isso cobra caro.
Em Calibre (2018), dois amigos vão caçar nas Highlands da Escócia e, depois de um evento grave, a vida vira uma sequência de decisões ruins feitas na pressa. O filme é um thriller psicológico britânico escrito e dirigido por Matt Palmer, com lançamento mundial pela Netflix em 29 de junho de 2018.
O que pega aqui não é mistério “de quem foi a culpa” — é o modo como a culpa funciona por dentro. A narrativa vai apertando o parafuso da paranoia, da tentativa de parecer normal quando tudo já desandou, e do autoengano clássico: “se eu controlar os detalhes, eu controlo as consequências”. Spoiler emocional: não controla.
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Coherence (2013) começa com um jantar entre amigos e um cometa passando perto da Terra. Parece simples, até que as conversas viram um quebra-cabeça de versões, escolhas e pequenos desvios que mudam tudo. É um sci-fi/thriller psicológico de baixo orçamento (estimado em US$ 50 mil) dirigido por James Ward Byrkit, lançado após exibição em festival em 2013.
O lado “explodir a mente” aqui é bem pé-no-chão: quando o cenário enlouquece, o grupo revela o que cada um faz pra se sentir seguro — controlar, negar, acusar, seduzir, bancar o racional. E fica uma pergunta incômoda: se existisse uma versão de você com decisões melhores, até onde você iria pra tomar o lugar dela?
Eternal Sunshine of the Spotless Mind (2004) é dirigido por Michel Gondry e escrito por Charlie Kaufman: um casal decide apagar da memória a relação que terminou mal — e, no meio do procedimento, a cabeça do protagonista vira um campo de resistência.
O filme acerta em cheio em duas coisas que a gente faz sem perceber: (1) editar lembranças pra doer menos; (2) transformar o outro em “vilão oficial” pra encerrar assunto. Só que, quando você tenta apagar um vínculo inteiro, não some só o sofrimento: vai embora também o que te formou, o que te deu linguagem pra amar, e até o que te ensinou sobre limite. E a pergunta que sobra é bem direta: dá pra amadurecer sem lembrar direito do que te feriu?
A Origem (Inception, 2010), do Christopher Nolan, gira em torno de um ladrão especializado em invadir sonhos para roubar informação — e que recebe uma missão inversa: implantar uma ideia na mente de alguém.
O filme funciona como um teste de atenção e, ao mesmo tempo, como um estudo sobre sugestão: a ideia que “nasce” dentro da pessoa parece mais legítima do que qualquer ordem externa. E aí entra o ponto psicológico: quantas decisões nossas são realmente nossas, e quantas foram plantadas por expectativas, traumas, culpa, carência, necessidade de aprovação? O roteiro brinca com camadas e regras, mas o soco vem quando você percebe o quanto a mente pode defender uma crença só porque ela ajuda a sobreviver.
Seven (Se7en, 1995) é dirigido por David Fincher e acompanha dois detetives tentando deter um serial killer que cria crimes inspirados nos “sete pecados capitais”.
É um filme sobre horror, sim — mas também sobre o prazer do julgamento. O assassino não quer só matar: ele quer “provar um ponto”, empurrar os outros pra um lugar onde todo mundo vire cúmplice de alguma forma. E é aí que incomoda: a história expõe como a raiva pode se fantasiar de justiça, como o moralismo pode virar combustível, e como o desgaste emocional corrói a capacidade de escolher bem quando a situação aperta.
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