Não é sempre que um livro premiado atravessa gerações, vira musical na Broadway e, décadas depois, volta às telas com força renovada.
A Cor Púrpura, disponível agora na Netflix, não é só uma adaptação — é uma tentativa de revisitar uma história densa com uma roupagem mais pop, colorida e, para alguns, surpreendentemente leve.
Mas por trás das coreografias impecáveis e do brilho estético, ainda ecoa a voz de Alice Walker, autora do romance original publicado em 1982.
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Desta vez, a direção ficou nas mãos de Blitz Bazawule, que optou por enfatizar o lado mais esperançoso da trama, mesmo quando os acontecimentos mostram o contrário.
O filme se ancora nas experiências de Celie e Nettie, duas irmãs negras separadas à força em uma época marcada por violência doméstica, racismo institucional e invisibilidade feminina.
O cenário é o sul dos Estados Unidos nas primeiras décadas do século 20, um período em que a liberdade pós-abolição ainda vinha acompanhada de outras correntes sociais.
Celie é violentada pelo próprio pai e depois forçada a se casar com um homem que repete os mesmos abusos. Nettie, ao tentar protegê-la, acaba expulsa de casa. O afastamento das duas é o que move a narrativa, que, mesmo suavizada nesta versão, não abandona completamente os traumas.
As fases da história são interpretadas por diferentes atrizes — Phylicia Pearl Mpasi e Halle Bailey vivem as irmãs na juventude, enquanto Fantasia Barrino e Ciara assumem seus papéis mais velhos, tentando reconstruir a conexão perdida.
O elenco é um dos pontos fortes do filme. Taraji P. Henson entrega presença como a intensa Shug Avery, e Colman Domingo, no papel de Mister, dá ao personagem camadas que vão além do vilão unidimensional.
Mas quem realmente rouba a cena é Danielle Brooks como Sofia — uma mulher que se recusa a abaixar a cabeça e cuja força deixa claro por que sua performance rendeu uma indicação ao Oscar. A personagem dá ritmo à trama e coloca em debate questões raciais e de gênero com mais contundência do que o restante do longa se arrisca a fazer.
A Cor Púrpura não tenta repetir o impacto emocional da versão de 1985, mas oferece um olhar renovado, com musicalidade e estética vibrante. Resta ao espectador decidir se a leveza compensa o peso da história original — ou se, no processo, algo essencial ficou pelo caminho.
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