Quando Hitler chegou ao poder, em 1933, a jornalista Charlotte Beradt iniciou uma audaciosa pesquisa, feita secretamente- entrevistou cidadãos alemães para coletar seus sonhos relacionados às mudanças políticas no país e à difusão da ideologia e do terror nazistas. O trabalho de Beradt durou até 1939. E só veio à luz em 1966, nesse livro em que sonhos de trezentas pessoas ajudam a interpretar a estrutura de uma realidade prestes a se tornar um pesadelo.

Protagonizados várias vezes por espectros dos líderes nazistas, como Hitler e Göring, os sonhos refletem em chave ao mesmo tempo trágica e absurda o medo que se disseminava no cotidiano da sociedade alemã e a angústia vivida por indivíduos dilacerados entre a recusa do nazismo e a atitude conformista. Publicado pela primeira vez no Brasil, Sonhos no Terceiro Reich é um documento excepcional da história do século xx e uma obra essencial para compre- ender os insidiosos efeitos da dominação totalitária.

No vídeo abaixo Christian Dunker pondera sobre a relevância da obra de Charlotte Beradt a partir do ponto de vista da psicanálise. Christian Dunker é, provavelmente, um dos maiores expoentes da psicanálise hoje no país. Professor da USP desde 2004, é um dos fundadores (ao lado de figuras como Vladimir Safatle) do Laboratório de Teoria Social, Filosofia e Psicanálise da USP (Latesfip-USP). Confira:

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