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Socialite condenada por ofender filha de Bruno Gagliasso afirmou à Justiça que “sofre racismo todos os dias”

Segundo apurado pela CNN, a socialite Dayane Alcântara Couto de Andrade, que utiliza o pseudônimo Day McCarthy, que foi condenada pelos crimes de racismo e injúria racial contra uma das filhas dos atores Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank, afirmou à Justiça que “sofre racismo todos os dias”.

Dayane Alcântara Couto de Andrade foi condenada a 8 anos, 9 meses e 13 dias de prisão, além do pagamento de multa. A sentença foi publicada na última quarta-feira (21).

Confrontada quanto ao vídeo em que se vale de termos racistas para ofender a filha do casal de atores, a hoje condenada socialite afirmou em interrogatório que “não fez o vídeo no intuito de ofender ninguém; que o pai é negro, que é filha de negro, que tem traço de negros, que desde a infância inteira sofre racismo, que as pessoas acham que ela é branca mas que não é e que vai explicar”.

Sobre a defesa de Dayane

A defesa de Dayane disse à Justiça que ela “sempre sofreu com comentários racistas sobre sua aparência física nas redes sociais e, portanto, sentiu raiva e decidiu gravar o conteúdo. Porém, o vídeo teria sido divulgado em outras redes sociais e se espalhou por toda a internet, tomando grandes proporções”.

Sendo assim, disse a defesa, a socialite não teria tido o objetivo de injuriar a filha dos atores, pois teria “agido por impulso”.

O juiz federal que julgou o caso não acatou a alegação da defesa

As alegações da defesa não foram aceitas pelo juiz federal Ian Legay Vermelho. “Não lhe assiste razão”, disse o magistrado na sentença. Conforme o entendimento do magistrado, o intuito de ofender a garota é “cristalino”.

“Não há elasticidade semântica que permita relativizar o conteúdo manifestamente hostil, agressivo, injurioso, direcionado à vítima, propagador de violência contra sua qualidade de indivíduo da cor preta, unicamente em razão de tal qualidade. Por óbvio, o fato de a acusada ter sofrido com ofensas racistas provocadas por terceiros não lhe garante o direito de ofender a honra de indivíduos não envolvidos na discussão, ainda que imbuída de acessos de raiva, como aduz a defesa, por ser uma pessoa impulsiva”, escreveu o juiz.

O magistrado acrescentou que o argumento da defesa, de que o vídeo havia sido publicado somente em um grupo fechado de WhatsApp, “não afasta a responsabilidade penal”.

Muito ao revés, justamente por conter inúmeros e desconhecidos integrantes (a real dimensão do grupo não soube a ré precisar em seu interrogatório) e estar ligado à rede mundial de computadores, este grupo era uma plataforma na qual publicar mensagens ofensivas a terceiros implicava, no mínimo, a assunção do risco de que tal conduta produzisse o resultado que de fato produziu, qual seja, ampla repercussão do ataque dirigida à vítima, que, à época, tinha quatro anos de idade.

O juiz afirmou ainda: “mesmo que a ré seja vítima dos mesmos preconceitos e discriminações, tal fato, embora surja como razão plausível para sua revolta, não a autoriza a prosseguir reproduzindo contra terceiros as mesmas palavras ofensivas.”

O casal Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank celebram a condenação: “Hoje a gente vem celebrar uma vitória contra o racismo”, disseram os atores, por meio de redes sociais.

Revista Pazes

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