OS OLHOS DE MINHA MÃE
Os olhos de minha mãe estão mudos,
Não me dizem mais nada, nem sonham mais.
Calados já não gritam as injustiças do mundo.
Calados já não dão conta da minha envelhecência.
E eu vou sempre sendo menino nas lembranças dos olhos de minha mãe.
E minha barba que se branquejou, minha mãe?
Outras rugas que se esparramam pela minha cara,
e as outras histórias que os meus olhos, órfãos dos teus, queriam contar?
Os olhos de minha mãe não escutam os gritos dos meus.
Nem a cantiga das luzes tristes que acalantam mariposas.
Agora, que são só silêncio e sono, os olhos de minha mãe,
peregrinam por onde a lua deixou rastros
e as estrelas se despiram de suas vestes brilhosas.
Os olhos de minha mãe, calados, se refugiaram na noite profunda.
Joilson Kariri Rodrigues é escritor. Publicou o romance “A noite do despejo” e prepara a publicação de novos livros.
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