Tem gente que entra em pânico quando o celular cai pra 1%. Oxygen pega essa sensação de “agora ferrou” e troca bateria por ar — e, de quebra, transforma um problema simples (respirar) num quebra-cabeça de identidade, tecnologia e escolhas péssimas feitas por gente muito poderosa.
Lançado pela Netflix em 12 de maio de 2021, Oxygen (título original Oxygène) é um thriller sci-fi em francês dirigido por Alexandre Aja e estrelado por Mélanie Laurent.
A premissa é direta e eficiente: Liz acorda trancada numa cápsula médica criogênica, sem memória, com o oxigênio acabando e com um sistema de IA (M.I.L.O.) que “ajuda”, mas também trava tudo atrás de códigos e protocolos.
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O truque do filme é a economia de cenário. Quase tudo acontece dentro daquele “caixão high-tech”, o que força o roteiro a trabalhar com detalhe: ruídos, telas, alarmes, respiração, mudanças de luz, e a ansiedade de tentar pensar sob pressão.
Esse formato seria fácil de virar teatro filmado… mas Aja usa a limitação como motor de tensão, e a Laurent segura o peso sozinha sem cair em performance exagerada (a personagem erra, surta, fica teimosa, volta, tenta de novo — do jeito que alguém real faria numa situação absurda).
Onde Oxygen fica mais interessante é quando ele para de ser só “como sair daqui?” e vira “por que isso existe?” — e aí entra o gancho do seu título: ciência criando vida “nova”, com consequências caóticas.
O filme não começa falando de laboratório e experimento, mas ele vai puxando esse fio aos poucos: criogenia, protocolos médicos, comunicação limitada com o mundo externo e, principalmente, o tema da cópia (memória, corpo, identidade).
Sem entregar viradas, dá pra dizer que a história cresce em camadas e muda o tipo de ameaça no caminho: primeiro é falta de ar; depois é falta de verdade.
No pacote técnico, a direção de fotografia e o desenho de som trabalham para dar variedade a um espaço minúsculo, e a trilha ajuda a marcar urgência sem “mandar” você sentir medo a cada cena.
O filme tem 101 minutos e não é um curta esticado: ele sabe quando acelerar (alertas, falhas, contagens regressivas) e quando segurar (pistas, lembranças, contradições).
Se tiver um ponto que pode dividir opiniões, é que o filme exige tolerância a protagonista debatendo com IA e a decisões tomadas no limite — algumas brilhantes, outras bem discutíveis.
Mas, dentro da proposta, isso faz sentido: o suspense nasce justamente do atrito entre “o que eu preciso fazer” e “o que o sistema deixa”.
Pra quem curte suspense de alta pressão, ficção científica com ideia forte e filme que confia numa atriz carregando a tela quase sozinha, Oxygen é uma escolha certeira no catálogo. E sim: quando a ciência entra na história de verdade, dá ruim — do tipo que não dá pra resolver só reiniciando o sistema.
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