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Novo filme da Netflix mostra como foi a captura do maior traficante de todos os tempos

Algumas prisões históricas são resultado de meses de inteligência, vigilância e operações cuidadosamente planejadas. Outras dependem, em determinado momento, de uma ocorrência quase banal. Foi justamente essa combinação improvável que marcou a captura definitiva de Joaquín “El Chapo” Guzmán, em janeiro de 2016: depois de uma grande operação militar, um dos narcotraficantes mais procurados do planeta acabou parado por dois policiais que estavam perto do fim do turno.

É esse recorte que “A Captura”, novo filme mexicano da Netflix, transforma em um thriller policial. Em vez de reconstruir toda a trajetória de El Chapo ou colocar o líder do Cartel de Sinaloa no centro da narrativa, a produção acompanha os agentes que se depararam com ele durante sua tentativa de fuga.

O longa estreou na Netflix em 21 de agosto de 2026 e é estrelado por Alfonso Herrera e Noé Hernández, com Héctor Kotsifakis interpretando Joaquín Guzmán. A direção é de Chava Cartas.

A abordagem muda o foco das histórias sobre El Chapo

Joaquín Guzmán já foi personagem de documentários, séries, reportagens e dramatizações sobre o narcotráfico mexicano. “A Captura” escolhe outro caminho.

Os protagonistas são Arturo Carmona, interpretado por Alfonso Herrera, e Héctor Rosales, vivido por Noé Hernández. Os dois policiais estão trabalhando quando uma abordagem aparentemente comum os coloca diante de um homem que mobilizava forças de segurança mexicanas e americanas havia anos.

A própria Netflix define a produção como um drama policial baseado em acontecimentos reais, no qual dois agentes federais precisam sobreviver às últimas horas do turno depois de cruzarem o caminho de um perigoso chefe de cartel.

Essa mudança de perspectiva interfere bastante no tipo de filme apresentado. El Chapo permanece como figura central dos acontecimentos, mas a câmera se concentra principalmente na tensão enfrentada pelos homens responsáveis por mantê-lo sob custódia.

O encontro improvável realmente aconteceu

O aspecto mais curioso da história é justamente aquele que poderia parecer uma licença exagerada de roteiro.

Em 8 de janeiro de 2016, forças mexicanas realizaram a chamada Operação Cisne Negro, em Los Mochis, no estado de Sinaloa. A ação tinha como objetivo localizar Joaquín Guzmán, que estava foragido desde julho de 2015, quando escapou da prisão de segurança máxima de Altiplano através de um túnel construído até sua cela.

Durante o confronto em Los Mochis, Guzmán conseguiu escapar do imóvel onde estava escondido.

Depois de deixar o local, ele passou por túneis e tentou continuar a fuga por terra. Segundo relatos sobre a operação, o narcotraficante e um de seus acompanhantes chegaram a roubar veículos durante a tentativa de desaparecer da região.

Foi então que ocorreu a parte quase inacreditável da história.

Dois integrantes da Polícia Federal perceberam um Ford Focus vermelho trafegando em alta velocidade. O carro também possuía registro de roubo, levando os agentes a iniciar uma perseguição.

Quando conseguiram abordar o veículo, descobriram quem estava dentro.

Era El Chapo.

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Uma prisão que veio depois de uma fuga cinematográfica

A importância daquela abordagem fica mais clara quando se considera o histórico de Guzmán.

O líder do Cartel de Sinaloa havia construído reputação internacional tanto pela dimensão de sua organização criminosa quanto por sua capacidade de escapar das autoridades.

Em julho de 2015, sua segunda fuga de uma prisão mexicana ganhou repercussão mundial. Um túnel com aproximadamente 1,5 quilômetro havia sido construído até a área de sua cela na penitenciária de Altiplano. A estrutura contava com iluminação e meios para facilitar o deslocamento.

Durante meses, Guzmán voltou a ser um dos fugitivos mais procurados do México.

A Operação Cisne Negro encerrou esse período em janeiro do ano seguinte. Após sua prisão definitiva, o narcotraficante seria posteriormente extraditado para os Estados Unidos, onde foi condenado à prisão perpétua.

O suspense começa depois da captura

“A Captura” encontra material dramático justamente no ponto em que muitas produções encerrariam a história.

Prender Guzmán era uma coisa. Permanecer com ele sob custódia enquanto reforços e autoridades eram acionados representava outro problema.

O filme explora esse intervalo de incerteza e transforma a situação dos policiais em fonte de tensão. Os agentes precisam lidar com o peso de terem nas mãos um criminoso ligado a uma organização capaz de mobilizar homens armados e enormes recursos financeiros.

A escolha também impede que a produção dependa exclusivamente de grandes confrontos.

Boa parte da pressão vem da pergunta que acompanha os personagens: o que fazer quando uma ocorrência comum coloca diante de você um dos homens mais procurados do mundo?

Alfonso Herrera lidera o elenco

Conhecido internacionalmente desde os tempos de “Rebelde” e posteriormente por trabalhos em produções como “Sense8” e “Ozark”, Alfonso Herrera interpreta Arturo Carmona.

Ao lado dele está Noé Hernández, ator mexicano com extensa carreira no cinema, interpretando Héctor Rosales.

Héctor Kotsifakis assume o papel de El Chapo.

O elenco ainda inclui Juan Pablo Cruz García, Paola Fernández, Antonio Fortier, Allan Durrell, Fernando Cuautle e Gerardo Trejoluna. O roteiro é assinado por Bernardo Esquinca, com participação de Héctor de Mauleón, enquanto Chava Cartas responde pela direção.

Filme evita colocar o traficante como herói da história

Produções sobre narcotraficantes enfrentam há anos uma discussão recorrente: até que ponto retratar poder, dinheiro e violência pode acabar transformando criminosos em figuras fascinantes para o público?

“A Captura” tenta contornar esse problema deslocando a atenção para os policiais.

Em entrevistas relacionadas ao lançamento, integrantes do elenco destacaram justamente a intenção de evitar a glorificação do crime e retratar os agentes como pessoas submetidas a medo, dúvida e pressão, distantes do policial invulnerável comum em filmes de ação.

Isso ajuda a explicar por que a produção dedica tanto espaço aos minutos posteriores à abordagem.

O interesse está menos em mostrar como El Chapo construiu seu império e mais em acompanhar o que acontece quando dois homens que cumprem um turno comum descobrem que acabaram de interromper uma das fugas mais acompanhadas da história recente do México.

Onde assistir “A Captura”

“A Captura” está disponível na Netflix. O filme mexicano tem aproximadamente 1 hora e 31 minutos e chegou ao catálogo em 21 de agosto de 2026. Internacionalmente, também aparece com o título “Facing El Chapo”.

Embora dramatize personagens, diálogos e determinadas situações, a premissa central parte de um episódio real: a operação de 8 de janeiro de 2016 e o encontro improvável entre policiais federais e Joaquín Guzmán durante a tentativa de fuga em Sinaloa.

Talvez por isso a história funcione tão bem como suspense. O acontecimento que pareceria conveniente demais caso tivesse sido inventado por um roteirista foi justamente o que aconteceu.

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Gabriel Pietro

Gabriel tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 10 mil textos assinados até aqui.

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