Indicação de Filme

Netflix lançou um filme belíssimo, mas tão intenso que muita gente não conseguiu terminar

Dá pra assistir Blonde com o olhar “vou ver um filme sobre a Marilyn” e sair achando que viu outra coisa: um retrato febril sobre como uma pessoa pode ser engolida pelo próprio símbolo.

O filme, disponível na Netflix, troca o conforto de uma cinebiografia “arrumadinha” por uma experiência mais sensorial e desconfortável — e isso explica por que ele divide tanto o público.

Dirigido e roteirizado por Andrew Dominik e estrelado por Ana de Armas, Blonde é uma adaptação do romance Blonde (2000), de Joyce Carol Oates.

Esse detalhe muda tudo: o livro (e, por consequência, o filme) é uma interpretação ficcionalizada, construída com ecos de fatos, rumores e percepções sobre a figura pública de Marilyn Monroe — não um relato “certinho” de vida real.

Leia tambémIlusão visual: apenas quem tem visão afiada consegue encontrar o cachorro entre os ursos polares em até 7 segundos!

O que faz o filme ser tão “belíssimo” (e, ao mesmo tempo, tão pesado) é a forma. A fotografia alterna preto e branco e cor, brinca com formatos de tela diferentes, e usa enquadramentos que parecem fechar o mundo em volta da protagonista, como se a câmera também fosse parte da pressão.

Some a isso a trilha de Nick Cave e Warren Ellis, que funciona como tensão contínua, e você entende por que tem gente que sai hipnotizada e gente que sai exausta.

A atuação da Ana de Armas é o eixo. Ela não imita Marilyn; ela cria uma “Norma Jeane” (nome de nascimento da atriz) frágil, ambiciosa, confusa, às vezes infantilizada pelo ambiente ao redor — e é aí que o filme começa a cutucar: o quanto a indústria e as relações tratam aquela pessoa como produto, e não como alguém com limites.

O elenco de apoio reforça essa sensação de disputa pela imagem dela, com nomes como Adrien Brody e Bobby Cannavale.

A classificação também entra na conversa: Blonde recebeu NC-17 nos EUA (equivalente a conteúdo estritamente adulto por lá), e a própria Netflix tratou do assunto explicando que o filme foi enquadrado como “para maiores” por conteúdo sexual e temas pesados — não por querer provocar gratuitamente.

Em outras palavras: é um filme que encosta em traumas e situações abusivas; se esse tipo de tema te afeta, vale passar longe (ou ver com cuidado).

No fim das contas, a pergunta que Blonde deixa não é “quem foi Marilyn, de verdade?”, e sim “o que fizeram com essa figura — e o que a gente continua fazendo quando consome esse tipo de mito?”.

Ele estreou nos festivais antes de chegar ao streaming e entrou na Netflix em 28 de setembro de 2022, já cercado por debate exatamente por caminhar nessa linha fina entre denúncia e exposição.

Leia tambémMédico brasileiro ensina como identificar sinais de AVC para quem tem menos de 50 anos

Compartilhe o post com seus amigos! 😉

Gabriel Pietro

Gabriel tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 10 mil textos assinados até aqui.

Recent Posts

O que Denzel Washington está preparando para 2026 e 2027? A lista de filmes já chama atenção!

Quando um ator chega a um ponto da carreira em que pode escolher projeto a…

12 horas ago

Cidade turística brasileira aprova lei que proíbe tendas e barracas em mais de 100 praias: multa pode chegar a R$ 1.000

Quem costuma levar “estrutura” pra praia — tenda, gazebo ou barraca grande — vai precisar…

12 horas ago

Você pode ter em casa: Anvisa proíbe venda de fórmulas infantis da Nestlé

Quando o assunto é alimentação de bebê, qualquer alerta de segurança vira prioridade — e…

13 horas ago

Minissérie investigativa baseada em chocante caso real volta com tudo em 2026 após se tornar hit global

Tem série que você termina e fica com uma sensação bem específica: não de “uau,…

2 dias ago

AGORA: Consulado brasileiro em Portugal enfim se pronuncia sobre passaporte encontrado de Eliza Samudio, dada como desaparecida desde 2010

Às vezes, um pedaço de papel esquecido num canto vira notícia — não porque “muda…

2 dias ago

Médico brasileiro ensina como identificar sinais de AVC para quem tem menos de 50 anos

Quando alguém tem menos de 50 anos, é comum o cérebro tentar “explicar” um sintoma…

1 semana ago