Por Luciano Cazz
Uma pessoa de sua estima que se entristece com sua alegria, que dá um sorriso sem graça quando você conta uma conquista ou fecha a cara quando você é elogiado, nem sempre é um falso amigo. Às vezes, apesar de todo o carinho que sentem por você, guardam dentro de si uma grande desconfiança sobre si mesmos. E precisamos estar atentos a essa diferença entre o amor que sentem pela gente e a falta de amor-próprio que carregam no coração.

Porque quando alguém ressalta nossas qualidades e eles se ressentem, pode não ser um
sentimento de competição, mas uma sensação de não serem pessoas tão boas, mesmo que isso não seja real. Estão afogados em seus defeitos e muito certos de que são incapazes. Por isso suas conquistas também o ferem, não por inveja, mas por uma, talvez falsa, fantasia de que eles mesmos não valem nada.


Então, acreditam que suas próprias conquistas não têm valor. Olham para seu dia, para sua própria vida e concluem que de nada grandioso fizeram, quando na verdade muitas coisas que para eles podem ser normais, para os outros são muito especiais. Aquela velha ideia de que o jardim do outro é sempre mais florido.

Esses amigos sem autoestima não se entristecem com o nosso contentamento porque não desejam nossa felicidade, mas porque acreditam que jamais terão as nossas alegrias. Pode ser um complexo de inferioridade dentro de uma visão distorcida do valor que eles, de fato, têm. Talvez tenha lhes faltado elogios, valorização dos seus feitos. Quem sabe cresceram sem alguém que ressaltasse a sua importância ou que dissesse o quanto eram especiais. Ou pior, podem ter sido criados em um ambiente hostil, onde suas qualidades eram anuladas, seus bons feitos distorcidos e seus significados diminuídos, ridicularizados.

Por isso não se deixe atingir por aquela pessoa que você tanto torce, mas que se incomoda com o seu sucesso, com sua beleza, com sua felicidade. Em vez disso, orgulhe-se de si por ser incapaz de se ferir com a alegria de um amigo. Entenda seu lugar mais evoluído e olhe para seu amigo com compaixão, porque pode não ter nada a ver com inveja, com o carinho que sentem por você, mas pelo amor que não têm por si mesmos. O seu sucesso bate dentro deles, naquela tristeza de serem quem são. Não é com você.


E talvez nesse ponto comece o seu papel como amigo. Primeiro olhar todas as coisas boas que uma pessoa, assim, já fez por você, depois entender a dor que ela sente em ser quem é e, a partir disso, ajudá-lo na reconquista de sua autoestima, no fortalecimento de sua crença em si mesmo. E agir de forma diferente da dela é também uma solução. Comemorar genuinamente suas vitórias, orgulhar-se das qualidades do seu amigo ou abrir um sorriso de satisfação quando ele acerta.

É nesse momento, em que ele se fecha para a sua felicidade, que você deve mostrar o quanto a dele importa para você. Mais do que uma lição de vida, será uma lição de amor.
Créditos Capa:MAILAY/PIXABAY

COMPARTILHAR

RECOMENDAMOS




COMENTÁRIOS




Luciano Cazz
Luciano Cazz é autor do livro "A tempestade depois do arco-íris". Conheça o livro: https://www.amazon.com.br/dp/B076WCS3S9