Espiritualidade

Não reclame dos acontecimentos: quando tudo parecer desabar, medita e ora!

Por Nar Rúbia Ribeiro
A vida nos reserva, o tempo todo, momentos difíceis. Ora é uma doença severa, ora um obstáculo financeiro que nos parece intransponível. Por vezes, a ingratidão, a indiferença, o egoísmo, o desamor do outro nos faz dilacerada a nossa alma. Nesses momentos em que a luz parece distanciar-se de nós, um dos caminhos possíveis é a reclamação incessante, momento em que dizemos a nós e aos que nos rodeiam do quanto fomos vítimas e injustiçados no mundo.

Contudo, a reclamação talvez seja um dos piores caminhos a ser trilhado. Isso porque nunca sabemos analisar com clareza se algo que nos ocorre é bom ou ruim. O que nos parece hoje sinistro e desonroso pode mostrar-se, em breve tempo, como um livramento ou um benefício. Ao reclamar e maldizer a vida, bloqueamos em nossa mente a capacidade de racionalizar e empreender soluções adequadas aos problemas surgidos. Ao reclamar, sintonizamo-nos com o “lado sombrio” das ocorrências e, não raro, fixamo-nos ali.

Ao reclamar, fazemos com que a nuvem escura que nos cobre a visão e os sentidos se espalhe aos nossos ouvintes: não raro pessoas amadas e nobres que de algum modo tenta ajudar-nos e às quais prejudicamos sem perceber.

Quando esses momentos de trevas e desulusão nos visitar a alma, cabe-nos a reconecção com as nossas essências. Cabe-nos a busca do autoconhecimento, a reflexão dos porquês, a análise das consequências de nossas escolhas passadas e presentes. Onde e quando, conscientemente ou não, semeamos aquilo a que hoje colhemos? Ou mesmo: onde e quando, conscientemente ou não, deixamos de semear o que gostaríamos de receber?

Valendo-se dessas reflexões, cabe-nos serenar o espírito por meio da meditação. Reaver o domínio das nossas emoções. Sentir-se no aqui e no agora, não como vítimas, mas como autores principais do roteiro existencial de nossas vidas.

Aos teístas, cabe ainda a oração. Elevar o espírito à divindade. Compreender que há caminhos que são superiores ao nosso intelecto e ultrapassam a nossa compreensão. Saber e sentir-se parte de um Todo maior e eterno. Agradecer a experiência do hoje e forjar, nas frestas da vida, a alegria do existir.

Nara Rúbia Ribeiro

Nara Rúbia Ribeiro - advogada especialista em Regularização de Imóveis, pós-graduanda e Direito Imobiliário. Atua em Goiânia - Goiás. É também editora-chefe da Revista Pazes.

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