Algumas imagens são feitas para serem observadas duas vezes. Na primeira, o cérebro organiza rapidamente o que parece mais óbvio: uma mulher, uma árvore, alguns pássaros, o mar ao fundo. Na segunda, essa organização começa a desmoronar. Linhas que pertenciam a uma coisa passam a formar outra, espaços vazios ganham contornos e rostos começam a aparecer onde segundos antes havia apenas paisagem.
É exatamente isso que acontece nesta ilustração.
Observe a imagem por alguns segundos antes de continuar. Quantos rostos você consegue encontrar?
Se sua resposta ficou abaixo de oito, vale tentar novamente.
A resposta proposta para este teste visual é oito rostos.
Os dois mais fáceis de perceber são também os maiores. Eles ocupam boa parte da composição e aparecem de perfil, frente a frente, como se duas pessoas estivessem prestes a se aproximar.
Depois que esses dois são encontrados, começa a parte realmente complicada.
Há outros seis rostos menores incorporados aos diferentes elementos da pintura. Contornos da mulher, folhagens, troncos, sombras e espaços entre as figuras ajudam a criar novas feições. Em alguns casos, uma linha que funciona como limite de um objeto também pode servir como nariz, testa ou queixo de outra figura.
Por isso, tentar contar olhando somente para personagens claramente desenhados costuma levar à resposta errada.
O segredo está justamente em deixar de perguntar “onde estão as pessoas?” e começar a procurar formas que lembram um rosto.
Existe um truque simples que pode ajudar: afaste um pouco a tela.
Também vale semicerrar os olhos ou observar primeiro as áreas claras e depois as escuras. Quando os pequenos detalhes perdem importância, fica mais fácil perceber figuras maiores formadas pela combinação de vários elementos.
Outra estratégia é dividir mentalmente a pintura em regiões. Examine primeiro o lado esquerdo, depois o centro e finalmente a árvore à direita. Só então volte a observar a imagem inteira.
Essa mudança de escala costuma revelar detalhes que passaram completamente despercebidos na primeira tentativa.
O reconhecimento de faces recebe tratamento especial no sistema visual humano. Pesquisas identificaram regiões cerebrais, como uma área do giro fusiforme, que respondem de maneira particularmente intensa à observação de rostos.
Isso ajuda a explicar um fenômeno chamado pareidolia facial: enxergar uma configuração semelhante a um rosto em algo que, literalmente, não possui um. É o que acontece quando vemos uma expressão em uma tomada, um rosto nas nuvens ou olhos e boca na frente de um automóvel.
E não se trata somente de uma comparação consciente. Estudos com ressonância magnética encontraram respostas de regiões ligadas ao processamento facial até quando participantes percebiam ilusoriamente rostos em padrões visuais.
Nesta pintura, porém, há um ingrediente extra: os rostos foram construídos intencionalmente pela combinação das formas. O cérebro recebe pistas suficientes para alternar entre duas interpretações da mesma área.
Uma árvore continua sendo árvore, mas seu contorno também pode virar parte de uma cabeça. Um espaço claro continua sendo céu, mas passa a completar um perfil humano.
Não necessariamente.
Testes desse tipo costumam circular acompanhados de promessas meio extravagantes, como “só pessoas com QI elevado encontram todos” ou “quem vê oito rostos tem uma mente excepcional”. É o tipo de certificado psicológico que a internet distribui com uma generosidade comovente e absolutamente nenhuma burocracia.
Não existe base para diagnosticar inteligência, personalidade ou capacidade cognitiva a partir desse desafio isolado.
A rapidez com que alguém encontra as figuras pode variar conforme o tamanho da imagem, a qualidade da tela, o ponto observado primeiro, a familiaridade com ilusões visuais e até o fato de a pessoa já saber que existem rostos escondidos.
Ainda assim, o teste revela algo curioso sobre percepção: os oito rostos estão presentes desde o primeiro segundo, mas isso não significa que seu cérebro irá reconhecê-los todos de uma vez.
E depois que você encontra os oito, surge outro problema: tentar olhar novamente para a imagem e fingir que eles não estão ali.
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