Meus olhos
estão cansados
de morrer.
E morrem abertos
anestesiados de um ai profundo.
Eles sabem
que no fundo de cada alma
há sempre um abismo novo
que compete com o abismo do outro,
e que, somados,
são o abismo de um povo.
Meus olhos sentem
as farpas,
as farsas,
as fissuras
da estrutura dos mundos.
Eles se banham silentes,
em face da indiferença de muitos.
Mas morrem de pé
como quem se recusa a quedar-se.
Morrem eretos,
como quem
nem mesmo ante a morte se curva.
Pois sabem enxergar o sol
nas profundezas mais turvas.
Nara Rúbia Ribeiro é editora-geral da Revista Pazes e está lançando o seu segundo livro de poemas: “Pazes”. Conheça a obra:
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