Nara Rúbia Ribeiro

É no silêncio que o sol, dentro em nós, amanhece

Sim, há muitos fabricadores de noites horrendas. Há que dissemine a discórdia e furte o sonho do pobre. Há quem fomente a miséria e blefe com a bondade do outro. Há quem forje palanques para surrupiar o povo. Há quem negue o necessário e vital ao próximo a fim de garantir a posse de seu supérfluo inútil. Sim, eu sei de tudo isso. Nenhuma utopia deve fechar os olhos daquele que caminha.

Contudo, mesmo na noite mais escura, quando as dores do mundo produzem ais e gemidos capazes de ensurdecer, de ensandecer, de angustiar e de fazer com que tenhamos os presságios mais sombrios sobre o destino dos povos, não raro muitas pessoas são capazes de interpretar o silêncio da mão invisível que acalanta a alma do mundo.

É que a bondade não faz alarido. O amor é um teia tecida no silêncio das preces, na delicadeza de pequeninos gestos, na irradiação das luzes do olhar amante. E são inúmeros, são eternos, são infinitos aqueles que o tecem…

O verdadeiro Poder não faz ruído. Quanto mais poderosa é a lágrima de uma mãe que imanta de Justiça o futuro que lega ao seu filho que as mil pragas que assolam as noites abissais?! E haveria mais força naquele que corrompe e surrupia o povo que naquele que, no silêncio das madrugadas, sai pelas ruas a prover o pão ou o agasalho àqueles cuja alma e o corpo padecem sem o calor do abrigo e sem a força que provem do alimento?

É que o Amor labora em silêncio e é em silêncio que ele nos fala. É no silêncio que o beija-flor dissemina o pólen de um novo jardim. É em silêncio que a mente desperta e se expande. É no silêncio que o sol, dentro em nós, amanhece.

Nestes momentos em que a noite aparenta dominar os nossos sentidos, é preciso silenciar o espírito. É no silêncio, vazios de verdades, de vaidades, vazios de certezas, que sintonizamos com o silêncio eloquente da Mão que nos acalanta.

E percebemos que o alarde dos fabricadores da noite contrasta com silêncio da aurora que no céu, em nós, vem surgindo: vagarosa, invencível e bela. Prenúncio de um novo tempo em que os fabricadores da noite se cansarão da ignorância e também ajudarão a fazer florir os contornos de uma nova era.

Por ora, silencia e ama. Silencia e luta. Silencia o medo, que o melhor nos espera.

Fotografia de capa:Lilia Alvarado Photography

Nara Rúbia Ribeiro

Nara Rúbia Ribeiro - advogada especialista em Regularização de Imóveis, pós-graduanda e Direito Imobiliário. Atua em Goiânia - Goiás. É também editora-chefe da Revista Pazes.

Recent Posts

Laudo da polícia revela agressões contra Orelha e expõe fator decisivo que levou o cão à eutanásia

A Polícia Civil de Santa Catarina apresentou nesta terça-feira (27) novas informações sobre a morte…

13 horas ago

Em só 12 episódios, esse dorama ganhou o Brasil ao tocar em feridas que ninguém gosta de encarar

Em “Amor nas Entrelinhas”, a primeira coisa que acontece não é um beijo nem uma…

14 horas ago

O filme de Spike Lee com Adam Driver que incomodou muita gente e agora está na Netflix

Tem filme que você coloca pra ver achando que já sabe o “básico” da história…

14 horas ago

Ciclone avança e chuva pode passar de 100mm: duas regiões do Brasil entram em alerta nesta quinta e sexta (29)

Depois de semanas com cara de “verão sem freio” — calor forte e pouca água…

14 horas ago

Essas 7 séries curtinhas da Netflix acabam rápido demais — e é exatamente por isso que viciam

Tem dia que a gente só quer uma história que comece, pegue no tranco rápido…

1 dia ago

Esse filme acabou de cair no streaming e deixa claro por que Peter Dinklage é muito maior do que Hollywood admite

Sabe aquele filme que você passa batido no catálogo e depois fica pensando “como eu…

1 dia ago