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Homem que perdeu esposa e filha em mergulho nas Maldivas quebra o silêncio com forte desabafo

Carlo Sommacal perdeu a esposa, a professora e bióloga marinha Monica Montefalcone, e a filha do casal, Giorgia Sommacal, durante um mergulho em uma caverna submarina no atol de Vaavu, nas Maldivas, em 14 de maio de 2026.

As duas estavam entre os cinco italianos que morreram durante a atividade. Também perderam a vida Muriel Oddenino, Federico Gualtieri e o instrutor de mergulho Gianluca Benedetti. O grupo havia descido a uma região de aproximadamente 50 metros de profundidade, em uma área de cavernas submarinas.

A morte de Monica chama atenção pela experiência que ela acumulava. Professora associada da Universidade de Gênova e especialista em ecologia marinha, ela tinha milhares de mergulhos realizados e mantinha uma relação profissional e pessoal de longa data com as Maldivas. Segundo o marido, ela jamais teria colocado deliberadamente a filha ou qualquer outra pessoa em uma situação que considerasse insegura.

“A única certeza que tenho é que minha esposa está entre as melhores mergulhadoras do mundo”, afirmou Sommacal.

Em entrevista à imprensa italiana, ele também descreveu Monica como uma pessoa extremamente cuidadosa e meticulosa. Para ele, a experiência dela torna difícil aceitar que a tragédia tenha ocorrido simplesmente por uma decisão imprudente.

“Ela nunca teria colocado em risco a vida da nossa filha”, declarou o marido, segundo relatos publicados pela imprensa italiana.

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“Alguma coisa aconteceu lá embaixo”

A principal dúvida de Sommacal está justamente no que ocorreu depois que o grupo entrou na caverna.

“Alguma coisa deve ter acontecido”, afirmou ele em outra entrevista, resumindo a principal questão que ainda cerca o caso. O marido chegou a mencionar a possibilidade de algum problema durante o mergulho, inclusive relacionado aos equipamentos utilizados.

Uma possibilidade levantada por especialistas foi a intoxicação por oxigênio, conhecida como hiperoxia. Em mergulhos realizados a grandes profundidades, a pressão e a composição dos gases respirados exigem cuidados específicos, e uma exposição inadequada ao oxigênio pode provocar efeitos neurológicos graves.

O pneumologista italiano Claudio Micheletto afirmou à agência Adnkronos que uma falha nos cilindros poderia ser investigada entre as hipóteses. Isso, porém, ainda não significa que essa tenha sido a causa das mortes.

Outras possibilidades também foram consideradas pelas autoridades e especialistas, incluindo desorientação dentro da caverna, problemas técnicos, condições ambientais e uma eventual situação de emergência que tenha afetado todo o grupo.

Mergulho ocorreu em uma área considerada de alto risco

A investigação ganhou importância porque a atividade aconteceu em uma profundidade muito superior ao limite normalmente aplicado ao mergulho recreativo nas Maldivas.

A Reuters informou que a região de Devana Kandu, onde ficava a caverna, chegava a profundidades superiores a 60 metros em determinados pontos. As autoridades também investigaram se o grupo possuía as autorizações necessárias para realizar aquele tipo específico de mergulho.

Outro ponto esclarecido durante a apuração foi que o mergulho fatal não fazia parte oficialmente da missão científica da Universidade de Gênova. Monica e outros integrantes estavam nas Maldivas em contexto ligado à pesquisa, mas aquela descida à caverna foi considerada uma atividade privada.

As condições do mar também dificultaram o trabalho das equipes de resgate. O mau tempo chegou a interromper temporariamente as operações, enquanto a profundidade, a escuridão e a estrutura da caverna tornavam a recuperação dos corpos especialmente complexa.

Monica e Giorgia eram conhecidas pela ligação com o mar

Monica Montefalcone tinha 51 anos e era reconhecida no meio acadêmico por seu trabalho relacionado aos ecossistemas marinhos. Também participou de campanhas voltadas à preservação do ambiente oceânico e tinha uma longa trajetória como mergulhadora.

Giorgia, filha de Monica, era estudante de engenharia biomédica em Gênova. A jovem acompanhava a mãe em atividades relacionadas ao mar e estava entre os integrantes do grupo que entrou na caverna naquele dia.

Para Carlo, justamente o conhecimento que Monica tinha sobre mergulho torna a explicação do acidente ainda mais difícil. Em entrevista, ele lembrou que a esposa conhecia profundamente os riscos e tinha o hábito de verificar cuidadosamente os detalhes antes de entrar na água.

O caso também deixou marcas profundas na Universidade de Gênova e na comunidade de Pegli, bairro onde Monica vivia com a família. No fim de maio, mais de mil pessoas participaram dos funerais de Monica e Giorgia. Os dois caixões foram colocados lado a lado na Igreja de San Francesco, em uma cerimônia acompanhada por familiares, amigos, estudantes e colegas da universidade.

A investigação das autoridades maldivas continua sendo fundamental para esclarecer por que cinco pessoas morreram durante aquela descida e se houve falha de equipamento, problema relacionado aos gases, erro operacional ou algum acontecimento inesperado dentro da caverna. Até que esses elementos sejam esclarecidos, a frase de Carlo Sommacal permanece como a síntese da principal dúvida da família: alguma coisa aconteceu lá embaixo.

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Gabriel Pietro

Gabriel tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 10 mil textos assinados até aqui.

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