Tem filme que pega a gente pela mão com delicadeza. E tem filme que cutuca onde dói — e mesmo assim faz bem.
“Um Tipo de Loucura”, produção sul-africana disponível no Prime Video, vai direto nesse lugar: o de encarar o amor quando ele deixa de ser promessa bonita e vira convivência real, com medo, desgaste, humor estranho e uma sensação constante de que nada está garantido por muito tempo.
Em vez de romantizar, o longa prefere mexer com as nossas certezas: a ideia de que casamento “resolve”, de que filhos e carreira blindam alguém contra o vazio, de que o sentimento, sozinho, dá conta do recado.
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O roteiro (de Christiaan Olwagen e Wessel Pretorius) acerta ao olhar para duas pessoas que se amam e, ao mesmo tempo, se assustam com o fim — não só o da relação, mas o da vida mesmo.
Logo de cara, a história apresenta Elna (Ellie) e Daniel (Dan) de um jeito que foge do padrão.
Eles se cruzam na Baía de Walker, ainda crianças, depois de um episódio traumático no mar: Ellie quase se afoga e cresce obcecada pela sensação de “estar por um fio”, como se flertar com o limite fosse uma forma torta de se manter acordada para a existência.
Dan aparece como interrupção desse impulso — e esse encontro, esquisito e marcante, vira o ponto de partida de uma ligação que não afrouxa com o tempo.
O diretor trabalha com idas e vindas no tempo, usando flashbacks para mostrar como aquela conexão infantil se transforma em parceria adulta, com seus momentos de leveza e seus buracos.
O que começa com energia de juventude acaba esbarrando em algo bem mais pesado: Ellie vai parar em um manicômio, e o filme muda a temperatura sem pedir licença, deixando a plateia naquele estado de “ri, mas com um nó na garganta”.
A partir daí, Dan se recusa a aceitar a separação como sentença. Ele invade a instituição e tira Ellie de lá — não como gesto heroico limpo, mas como atitude desesperada de quem não sabe existir sem a outra pessoa.
Os dois caem na estrada em uma Ford Taunus amarela, e o roteiro abraça situações que alternam carinho e constrangimento, ternura e caos: numa parada rápida, Ellie some e vai parar num brechó, onde encontra um vestido de noiva usado e encara aquilo como se fosse a peça que faltava para um sonho que ela jura não ter vivido “do jeito certo”.
É nesse trecho que “Um Tipo de Loucura” mostra seu maior trunfo: entrar na mente de Ellie sem transformar a personagem em caricatura, deixando o filme flertar com um humor meio torto, quase absurdo, para falar de identidade, desejo e sobrevivência emocional.
Sandra Prinsloo dá corpo a essa mulher cheia de contradições — frágil num segundo, afiada no outro —, enquanto Ian Roberts sustenta Dan como alguém que ama com teimosia, mas também com cansaço, culpa e um tipo de devoção que pode confortar ou sufocar, dependendo da cena.
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