Filmes de drama que abordam a Primeira Guerra Mundial não são uma raridade no mundo do entretenimento. A percepção equivocada dessa suposta raridade se deve ao fato de muitas dessas produções remeterem a tempos quase esquecidos, ressurgindo ocasionalmente por conta da inquietude humana diante de um século 21 marcado por extremos, violência e medo.
O conflito histórico foi crucial para consolidar a hegemonia americana, transformando os Estados Unidos na principal potência bélica e econômica do mundo. Sob o título aparente de “Amsterdam”, o filme revela-se, na essência, uma homenagem do cineasta nova-iorquino David O. Russell à sua cidade natal e à própria nação, onde a menção à capital holandesa emerge como um elemento mágico, liberando personagens assombrados por memórias sombrias e transportando-os para um universo de sonhos.
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Russell envolve seu extenso elenco com ilusões de um passado não vivido, exagerando nos tons de sentimentalismo em determinados momentos, porém não há como negar a personalidade imbuída em seu trabalho. Seu roteiro, abundante em detalhes, potente e cínico, abre espaço para o delírio, confundindo alguns espectadores inicialmente. Contudo, superada a estranheza inicial, é impossível não se envolver na maravilhosa loucura proporcionada pelo diretor.
Em “Amsterdam”, Russell utiliza habilmente sua narrativa fragmentada, levando o espectador a questionar o tema central abordado. Por acaso, um grupo de amigos se vê envolvido em um assassinato do qual apenas os espectadores têm ciência de que não poderiam ter cometido.
A trama se desenrola em Nova York, no ano de 1933, mas transita temporalmente até 1918, o último ano da Grande Guerra, em Amsterdam, quando o movimento fascista se fortalecia, refletindo um panorama europeu similar. O surgimento do Movimento Nacional Socialista nos Países Baixos ocorre nos anos 1930, tornando-se a única organização política legal durante a ocupação alemã na Segunda Guerra Mundial. Entretanto, duas décadas antes, a influência das ideias de Benito Mussolini já ecoava vigorosamente nos Estados Unidos de Franklin D. Roosevelt, durante seus doze anos na Presidência.
A introdução prolongada do filme serve para apresentar o cirurgião Burt Berendsen, cujo consultório é frequentado por veteranos da Primeira Guerra, incluindo ele próprio. Berendsen perdeu seu olho direito na Batalha do Marne, em 1914, no início dos confrontos, e a atuação de Christian Bale destaca-se ao trazer à vida mais um personagem memorável.
O médico trabalha num elixir analgésico capaz de aliviar qualquer dor, mas antes disso, torna-se dependente de um opioide presente na fórmula de sua poção mágica. Gradualmente, Russell cria as condições para a entrada dos co-protagonistas Harold Woodman e Valerie Voze, interpretados por John David Washington e Margot Robbie, reservando para o desfecho o desvendamento do homicídio, intimamente relacionado a um incidente vergonhoso nos bastidores daquele cenário sinistro.
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Fonte: Omelete
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