Não é segredo que, a cada dia, a impaciência, a intolerância e o cansaço dão a tônica nas redes sociais. Quando a isso, vale a regra geral: não podemos mudar ninguém, exceto a nós mesmos. Se é assim, podemos mudar a forma de enxergar o outro.

Cada ser é perfeito como é, e a sua evolução, transmutação, elevação, será perfeita quando se der, da forma e no tempo em que ocorrer. Ela é perene e invisível aos “olhos comuns”…

Agimos como meninos da alfabetização que olham para os coleguinhas do jardim de infância e dizem: – Vocês sabem que letra é essa? É o “A”. É o “A”. Ignorantes, vocês não sabem ler! Tem o alfabeto aqui escrito no cartaz do pátio e vocês não sabem! Como não sabe? E lamentamos, ignorantes que somos: – Deus, que mundo é este em que os coleguinhas não sabem ler?

Mal sabemos que acima do alfabeto, do mundo fonético que nos aguça os ouvidos, mora a palavra, em sua essência. E nessa essência, muito distante da grafia e do simbolismo das letras, reside a filosofia das coisas, a dimensão abstrata que a tudo abarca e que ninguém domina.

Esse nosso cansaço do mundo é arrogância de julgarmo-nos acima dele. Essa impaciência com o próximo é a nossa ignorância em pele de pseudo-sapiência. Devemos olhar a nossa face no espelho, não com vergonha dessa ignorância, mas sabedores de que estamos ainda no início do trajeto, que estamos apenas aprendendo a caminhar, que o Universo conspira a favor da nossa jornada e que é preciso, vez ou outra, levantar alguém que aprendeu a andar há menos tempo, dialogar com um outro que ainda não compreendeu o sentido desta ou daquela pequenina verdade que já julgamos compreender, e nunca, jamais, ceder ao comodismo, ao cansaço, à impaciência.

E claro que podemos mostrar aos amigos do jardim de infância o alfabeto, instigar o estudo e a compreensão, mas que isso seja uma alegria e não um enfado. Essa é uma honrosa e nobre missão!

Pazes a todos!

Nara

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Nara Rúbia Ribeiro
Poeta em tempo integral.


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