A Copa do Mundo, para muita gente, começa quando a bola rola. Para Maria de Oliveira, de 85 anos, ela começa antes: no som do pacotinho sendo aberto, na expectativa pela figurinha rara e na lista de cromos que ainda faltam para completar o álbum.
Moradora de Juiz de Fora, em Minas Gerais, Dona Maria transformou a coleção de álbuns da Copa em uma tradição familiar. Há quase 20 anos, ela acompanha cada edição do Mundial não apenas pela televisão, mas também pelas páginas coloridas que reúnem jogadores, seleções e memórias.
Dona Maria iniciou a coleção na Copa do Mundo de 2006, disputada na Alemanha. Desde então, não parou mais.
A cada novo Mundial, o ritual se repete: comprar o álbum, abrir pacotinhos, separar as repetidas e buscar as figurinhas que faltam. Para ela, a graça está justamente nesse momento de surpresa.
A aposentada conta que gosta especialmente quando encontra um jogador do Brasil ou algum nome estrangeiro que admira. Em cada figurinha, há um pouco da expectativa que acompanha os torcedores antes de uma Copa.
A coleção não é uma missão solitária. As netas de Dona Maria participam ativamente da busca pelas figurinhas.
Enquanto ela organiza a coleção e controla o que ainda falta, as netas ajudam nas trocas na escola e na faculdade. É como se cada uma tivesse uma função no “time” montado para completar o álbum.
O que poderia ser apenas um passatempo se tornou uma forma de convivência entre gerações. Avó e netas compartilham a mesma brincadeira, cada uma à sua maneira.
Mesmo com tanto entusiasmo, nem toda Copa deixou lembranças fáceis.
Dona Maria conta que apenas um álbum ficou incompleto: o de 2014. Depois da derrota do Brasil por 7 a 1 para a Alemanha, ela perdeu a vontade de continuar mexendo naquela edição.
A lembrança mostra como, para alguns torcedores, o futebol vai além do resultado. Ele se mistura com emoção, frustração, memória e até pequenos rituais interrompidos.
Entre os nomes favoritos de Dona Maria estão Ronaldo Fenômeno, Roberto Carlos, Rivaldo, Cristiano Ronaldo e Mbappé. Da seleção brasileira atual, ela não esconde a preferência: Neymar.
A convocação do camisa 10 foi comemorada por ela, mas trouxe uma preocupação curiosa. Na primeira versão do álbum, Neymar não aparecia entre as figurinhas da seleção.
Segundo a reportagem, a Panini informou que haverá atualização das figurinhas da equipe brasileira. Para Dona Maria, a presença do jogador no álbum é mais do que detalhe: é parte importante da coleção.
A relação de Dona Maria com a Copa nasceu muito antes dos álbuns.
Na infância, vivendo na roça, ela não tinha acesso fácil a rádio ou televisão. As primeiras lembranças do futebol vieram pelas histórias contadas por um tio, que falava de Pelé com entusiasmo.
Naquela época, ela ainda não via os jogos. O encanto vinha pela imaginação, pelas vitórias do Brasil e pelas narrativas que transformavam jogadores em personagens quase mágicos.
A paixão ficou mais concreta na década de 1970, quando Dona Maria comprou sua primeira televisão e pôde acompanhar uma Copa do Mundo pela primeira vez.
O Mundial do México, vencido pelo Brasil, se tornou uma das lembranças mais queridas. A casa ficou cheia de vizinhos, crianças e adultos reunidos em frente à TV.
A cena diz muito sobre uma época em que assistir à Copa era também um evento comunitário. Quem tinha televisão abria as portas, e a torcida ocupava a sala.
Apesar da lembrança forte de 1970, Dona Maria não hesita ao apontar a Copa mais marcante: 2002.
Para ela, aquele Mundial ficou ligado à reviravolta de Ronaldo Fenômeno, que voltou a brilhar depois de lesões e foi decisivo na conquista do pentacampeonato brasileiro.
A final contra a Alemanha também teve um capítulo digno de memória familiar. Perto do fim do primeiro tempo, a energia acabou. A solução foi improvisada: todos entraram no carro e foram para a casa do genro, em outro bairro, para terminar de assistir à partida.
E assim, mais uma lembrança entrou para a coleção.
Para Dona Maria, os álbuns representam algo maior do que completar páginas.
Eles guardam fases da vida, lembranças da família, jogadores admirados e emoções que voltam de quatro em quatro anos. Cada figurinha colada parece carregar também um pedaço de história.
Aos 85 anos, ela mostra que entusiasmo não tem idade. E que, às vezes, a alegria pode estar em algo simples: abrir um pacotinho, torcer por uma figurinha do Brasil e dividir esse momento com quem se ama.
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