Antonio Fagundes voltou a defender uma regra que há anos provoca debate entre espectadores, artistas e até a Justiça: a proibição da entrada de pessoas atrasadas em suas peças após o início da apresentação.
Em entrevista à BBC News Brasil, o ator afirmou que já enfrentou processos por causa da medida e contou que, recentemente, foi acionado judicialmente por uma juíza que teria sido impedida de entrar em uma de suas apresentações depois do horário marcado.
A decisão de Fagundes é simples, mas polêmica: quando a peça começa, a entrada é encerrada. Quem chega depois do início não pode acessar a plateia e, segundo o ator, também não recebe o valor do ingresso de volta.
Para ele, a medida não é uma punição ao espectador atrasado, mas uma forma de proteger quem chegou no horário.
Fagundes argumenta que, quando a cortina se abre, centenas de pessoas já estão sentadas, concentradas e prontas para acompanhar o espetáculo. A entrada de atrasados, segundo ele, pode interromper a experiência coletiva, especialmente quando envolve luz de celular, conversas, movimentação nos corredores e pessoas se levantando para liberar passagem.
O ator afirma que não considera justo prejudicar toda uma plateia por causa de poucos espectadores que não chegaram a tempo.
A polêmica ganhou ainda mais força porque, segundo Fagundes, uma das pessoas que o processou seria uma juíza. Em sua fala, ele questionou o fato de a ação ter sido movida na comarca da própria magistrada, mas o caso ainda deve ser analisado dentro dos trâmites legais.
Essa não seria a primeira vez que o ator enfrenta esse tipo de discussão na Justiça. Reportagens sobre o caso apontam que Fagundes já acumulou outras ações motivadas pela mesma regra em seus espetáculos. Em boa parte das decisões citadas, a Justiça teria entendido que a medida era válida, especialmente quando a regra era informada previamente ao público.
A situação abriu uma discussão maior: até onde vai o direito de quem comprou ingresso e onde começa o direito da plateia que chegou no horário?
Para Fagundes, o teatro exige uma relação de respeito entre quem está no palco e quem está assistindo. E esse respeito, na visão dele, começa pela pontualidade.
A discussão também conversa diretamente com o novo espetáculo dirigido por ele, Sete Minutos, uma comédia que parte justamente de uma situação de interrupção no teatro. Na trama, um ator abandona o palco após o toque de um celular durante uma apresentação de Macbeth, de William Shakespeare.
Ao falar sobre o tema, Fagundes também refletiu sobre a mudança no comportamento do público. Segundo ele, se no passado o desafio era manter a atenção das pessoas por alguns minutos, hoje a disputa pela concentração ficou ainda mais difícil diante do uso constante de celulares.
Além do teatro, o ator também vive uma fase movimentada na televisão. Após anos fora das novelas da Globo, ele retorna em Quem Ama Cuida, produção da faixa das nove. No enredo, interpreta Arthur Brandão, um homem rico cercado por uma família interesseira que decide deixar sua herança para uma mulher que acabou de conhecer após ela perder tudo em uma enchente.
Mesmo com a rotina dividida entre gravações no Rio de Janeiro e espetáculos em São Paulo, Fagundes segue defendendo que o teatro precisa preservar seu ritual: horário marcado, plateia atenta e respeito ao trabalho dos artistas.
A regra pode dividir opiniões, mas colocou em evidência uma pergunta importante para quem frequenta espetáculos: chegar no horário é apenas uma formalidade ou também uma forma de respeito coletivo?
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