Coincidência orbitais trarão, logo no início de 2019, uma belíssima imagem aos nossos olhos. Trata-se da “Superlua de sangue”, nome dado ao Eclipse Lunar total. O fenômeno poderá ser visto em todas as Américas na madrugada do dia 20 para o dia 21.
Um eclipse lunar total recebe o nome de “Lua de sangue” pela cor avermelhada da Lua no evento. Essa cor é causada porque a Terra fica totalmente entre o Sol e a Lua. Ao receber a luz solar, a atmosfera do nosso planeta desvia determinadas frequências de luz. As frequências que não são desviadas chegam até a Lua e são refletidas, dando a coloração ensanguentada. Essa refração da luz é também o que causa a cor alaranjada do céu no nascer e no pôr-do-Sol.
Para o professor de astronomia Daniel Brown, “o eclipse lunar tem fascinado culturas em todo o planeta, e inspirado mitos e lendas curiosos, muitos dos quais retratam o evento como um presságio. Isso não é surpresa, visto que qualquer coisa que interrompa os ritmos regulares do Sol ou da Lua têm forte impacto sobre nós e nossas vidas.”
Conforme artigo traduzido pelo site Outras Palavras:
“Para muitas civilizações antigas, a “lua de sangue” vem com intenções demoníacas. O povo inca interpretava o colorido vermelho profundo como um jaguar atacando e comendo a lua. Acreditavam que o jaguar voltaria então sua atenção para a Terra, de modo que as pessoas gritavam, agitavam suas lanças e faziam seus cães latir e uivar, esperando fazer barulho suficiente para afastar o jaguar.
Na Mesopotâmia antiga, um eclipse lunar era considerado um ataque direto ao rei. Dada sua habilidade de prever um eclipse com razoável precisão, eles colocavam um procurador do rei enquanto durava o fenômeno. Alguém considerado dispensável (não era um cargo popular…) representava o monarca, enquanto o verdadeiro rei se escondia e esperava o eclipse passar. O rei substituto então desapareceria, convenientemente, e o velho rei era reconduzido ao trono.
Algumas lendas hindus interpretam os eclipses lunares como resultado do demônio Rahu beber o elixir da imortalidade. Deidades gêmeas, o Sol e a Lua logo decapitavam Rahu, mas como ele havia tomado o elixir, sua cabeça permanecia imortal. Buscando vingança, a cabeça de Rahu caça o Sol e a Lua para devorá-los. Quando os alcança temos um eclipse – Rahu engole a Lua, que reaparece em sua cabeça cortada. Para muitos povos na Índia, um eclipse lunar traz má sorte. Água e comida são protegidos, e são realizados rituais de limpeza. Mulheres grávidas não deviam comer ou fazer serviços domésticos, de modo a proteger a criança não nascida.”
Bem sabemos que as lendas e as interpretações são muitas, mas estejamos atentos à beleza do fenômeno. Que tal permitir que essa Superlua nos encante os sentidos?
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