“Reflexão Feminina”, pois hoje é Dia Internacional da Mulher

Reflexão Feminina

A uma mulher,
sempre é dado o direito de esperar.
E assim o amor nos chega (ou não chega):
à espera, de espera,
muitas vezes áspero de cansaço,
outras vezes mirrado pelo calor dos dias.
Vezes tantas, quase nem chega,
como se debochasse da nossa ilusão.

A uma mulher,
sempre é dado o direito esperar.
Quem sabe um olhar amável,
um pequeno revés de ciúme:
migalhas.
A uma mulher,
sempre é dado o direito de ver enigmas
que não existem,
possibilidades incorretas
e abstratas e loucas.

Uma mulher pode, sempre, ver razão para amar
Mesmo sem nada receber em troca.
Sonhar com mãos que não a tocam,
ver desejos em olhos pífios
ver força na fraqueza de homens vieram a nada
e por nada ficaram.

A uma mulher sempre é dado o direito de ficar à espera
à espreita, desejo e sonho represados.
Fingir que não sente,
fazer-se de moderna
e morna e morrer de amor por dentro,
afogada de encantos tortos
e verdades intocadas.

Mas,
na mediocridade da espera,
ela gera!

A uma mulher,
força e feliz tecelã da existência humana,
é dado, ainda, o dever de desesperar o século
e fazer florir, na cratera de todas as eras,
um amor concreto e desmedidamente seu.

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Nara Rúbia Ribeiro
Advogada, poeta, escritora, idealizadora e responsável pela edição geral da Revista Pazes.



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