Vivemos um momento de pobreza no debate

Vivemos um momento de pobreza no debate. Por quê? Porque as pessoas estão adjetivando imediatamente e ouvindo muito pouco. Discussões, em especial sobre o momento político, viraram brigas de torcidas. Vocês já viram um corintiano, após ouvir um palmeirense falar do seu ponto de vista, dizer: agora entendo que o Palmeiras seja o melhor time do mundo e você me convenceu a abandonar o Corinthians? A cena é improvável, talvez impensável. Por quê? A paixão de torcida não é racional e não é movida por argumentos lógicos. Talvez a política também não, mas chegou a hora de pensar no que seria uma argumentação. Vou tentar não seguir apenas os conselhos da retórica clássica. Vamos fazer de dois em dois.

– quando alguém diz A devemos analisar A e não B. Dizer A não implica dizer que ignoro ou nego B, pelo menos não imediatamente. Exemplo: seu partido roubou X. Resposta: o seu fez pior com Y. É má resposta e mau argumento. Só valeria se o tópico da discussão fosse: será que todos roubam? Se o tópico for o roubo X, discutem-se os argumentos do roubo X. Se eu falo do massacre T, não significa que esto provando ou deletando o massacre Z. Chama-se a esta virtude objetividade.

– A discussão só pode iniciar se houver uma premissa comum. Exemplo: eu entendo que eu e meu colega de discussão queremos, ambos, o melhor para o Brasil. Ambos queremos um país desenvolvido e com respeito a seus cidadãos, por exemplo. Se esta premissa não existir, é inútil conversar ou discutir. Uma discussão é como um jogo de xadrez: implica concordar com regras prévias. Se tenho a opinião de que meu colega não tem nenhum ponto em comum e apenas quer perturbar ou brigar, é inútil a discussão e ela deve ser abandonada.

Landro Karnal, professor e historiador brasileiro.

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