Pensamentos de Lygia Fagundes Telles – a escritora brasileira indicada ao Nobel 2016

Lygia-Fagundes-Telles_©Adriana-Vichi.jpg
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Lygia Fagundes Telles, escritora brasileira, recebeu vários prêmios ao longo da carreira, tais como o Camões (2005), e o Jabuti (1966, 1974 e 2001).

Ela tem obras traduzidas para o alemão, espanhol, francês, inglês, italiano, polonês, sueco, tcheco, português de Portugal, além de adaptações de suas obras para o cinema, teatro e TV. Lygia fundou a UBE e faz parte do Conselho Diretor da instituição.

Ontem (dia 03 de fevereiro) , Lygia foi indicada pela União Brasileira de Escritores (UBE) ao Nobel de Literatura 2016. Abaixo, algumas frases marcantes da escritora:

“Com a ponta da língua pude sentir a semente apontando sob a polpa. Varei-a. O sumo ácido inundou-me a boca. Cuspi a semente: assim queria escrever, indo ao âmago do âmago até atingir a semente resguardada lá no fundo como um feto.”

“Descobri outro dia que a gente só se mata por causa dos outros, para fazer efeito, dar reação, compreende? Se não houvesse ninguém em volta para sentir piedade, remorso e etc. e tal, a gente não se matava nunca. Então descobri um jeito ótimo, me matar e continuar vivendo. Largo meus sapatos e minha roupa na beira do rio, mando cartas e desapareço.”

“Não há gente completamente boa nem gente completamente má, está tudo misturado e a separação é impossível. O mal está no próprio gênero humano, ninguém presta. Às vezes a gente melhora. Mas passa.”

“Não cortaremos os pulsos, ao contrário, costuraremos com linha dupla todas as feridas abertas.”

“Não acho maravilhoso envelhecer. A gente envelhece na marra, porque não há mesmo outro jeito, já fui a tantas estações de águas, já bebi de tantas fontes – onde a Fonte da Juventude, onde?”

“Estancar a loucura por meio de um sonho”

“Vocês me parecem tão sem mistério, tão descobertas, chego a pensar que sei tudo a respeito de cada uma e de repente me assusto quando descubro que me enganei, que sei pouquíssima coisa.”
– Lygia Fagundes Telles, no livro “As meninas”

“Tão difícil a vida e seu ofício. E ninguém ao lado para receber a totalidade dos seres humanos, isso nos últimos anos da sua vida sem muita ilusão…”
– Lygia Fagundes Telles, in “A disciplina do amor”.

 Lygia Fagundes Telles, foto: Eduardo Knapp
Lygia Fagundes Telles, foto: Eduardo Knapp

Biografia
Nasceu na capital paulista no dia 19 de abril de 1923, passando boa parte da sua infância no interior de São Paulo, sendo filha de pai promotor e delegado as mudanças de cidade eram bastante comuns e frequentes.

Lygia tomou gosto pela escrita bem cedo, visto que criou seus primeiros textos ainda na adolescência, e aos 15 anos, em 1938, com auxilio de seu pai Durval, publicou Porão e sobrado, este que seria o seu primeiro livro, assinado como Lygia Fagundes.

Um ano depois, em 1939 concluiu o seu curso fundamental, vindo a ingressar na Escola Superior de Educação Física em São Paulo em 1940, e paralelamente com o curso de Educação Física frequentou um curso preparatório para ingressar na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, onde iniciou o curso de direito no ano seguinte(1941), ano este que veio a concluir o curso de Educação Física.

Oficialmente a sua estréia literária aconteceu no ano de 1944, quando publicou o livro de contos Praia Viva.

Já seu segundo livro chamado O Cacto Vermelho, foi lançado no ano de 1949, no ano seguinte, 1950, casou-se com Goffredo da Silva Telles Jr, com quem teve um único filho, sendo que veio a se separar(não de forma oficial) depois de 10 anos, em 1960.

O seu primeiro romance da autora foi Ciranda de Pedra, que foi lançado em 1954, posteriormente publicou outros três romances, Verão no Aquário(1964), As Meninas(1973), e As Horas Nuas(1989), sendo que Ciranda de Pedra, As Meninas e As Horas Nuas são considerados os principais trabalhos da autora.

Fonte biográfica: Seu Saber

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