Pare de achar que Audrey Hepburn foi apenas uma bonequinha de luxo

Ela passou fome durante a Segunda Guerra, venceu mais prêmios do que você pode imaginar, falava cinco línguas e foi embaixadora da UNICEF. Audrey é inspiração pura!

Há exatos 55 anos, no dia 5 de outubro de 1961, chegava aos cinemas um dos filmes mais icônicos da cultura pop: Bonequinha de Luxo. O longa deu status de clássico ao conto homônimo de Truman Capote e elevou sua atriz principal ao nível mais alto de Hollywood. O vestido preto Givenchy usado por Audrey Hepburn é até hoje uma das peças de roupa mais lendárias do cinema e seu look é copiado à exaustão em toda e qualquer festa à fantasia.

Audrey virou ícone de moda e beleza, sempre comparada à Marilyn Monroe, cuja marca registrada era o sex appeal. Marilyn entrou para a história como mulher fatal e Audrey como símbolo de requinte e elegância. Para variar, roupas e atributos físicos são as características que definem as mulheres desde sempre, o que é apenas lamentável. Ambas foram bem mais do que embaixadoras da beleza!

Em se tratando de Audrey, seu currículo é muito mais amplo do que as caras, bocas e silhueta esguia de Holly Golightly. Ela foi uma atriz formidável, indicada ao Oscar cinco vezes como Melhor Atriz, inclusive por Bonequinha de Luxo, diga-se de passagem. Porém, anos antes de estrelar seu filme mais icônico, ela já exibia um Oscar na prateleira de casa, pelo trabalho em A Princesa e o Plebeu (1953). E Audrey tinha apenas 24 anos na época! Como se não fosse o bastante, ao longa da carreira ela também venceu o Globo de Ouro, o Emmy, o Tony e o Grammy. Até hoje, apenas 17 artistas conseguiram conquistar todos esses prêmios somados – ela foi a quinta nessa seleta lista.

Só que muito antes disso, a atriz chegou a passar fome na Europa, onde viveu durante longos anos. Filha de mãe holandesa e pai britânico, Audrey nasceu na Bélgica e viu de perto os horrores da Segunda Guerra. Ela morava na Holanda com a mãe em 1942 e ambas precisaram se mudar para Londres por conta dos conflitos. As duas não tinham dinheiro nem para comer.

A desnutrição na adolescência fragilizou seu corpo para sempre. Anos depois, mesmo dedicando-se intensamente ao balé, ela nunca conseguiu realizar o sonho de dançar profissionalmente. As memórias da guerra também marcaram Audrey pelo resto da vida e, em 1991, ela revelou em uma entrevista que se lembrava com detalhes dos trens lotados de judeus que eram levados aos campos de concentração. Perto de casa, ela também podia ouvir os judeus sendo torturados. “Eu passava em frente a um grande prédio que foi transformado em prisão e os sons mais horríveis vinham lá de dentro”.

Curiosamente, depois de alcançar o sucesso absoluto, ela decidiu abdicar da pompa de Hollywood para levar uma vida modesta na Europa. Após divorciar-se do primeiro marido, o ator americano Mel Ferrer, ela apaixonou-se pelo italiano Andrea Dotti e foi morar em Roma. Seu filho caçula, Luca Dotti, chegou a escrever um livro intitulado Audrey Mia Madre, revelando a vida doméstica da atriz. Ele conta que a mãe amava cozinhar, fazia questão de realizar tarefas da casa e ia pessoalmente busca-lo na escola. “Muitas vezes, ela ficava sem graça quando lhe davam privilégios no açougue”, disse Luca, em entrevista ao O Globo.

Depois de anos longe das telas, Audrey resolveu voltar a atuar e o fez com esmero redobrado. “Ela sempre se dedicou muito [ao trabalho]. Levantava cedo para estudar os seus personagens e sempre chegava pontualmente no set. Ela tinha medo de não estar à altura de seus colegas”, revelou Luca na mesma entrevista.

A temporada em Roma fez com que Audrey dominasse com perfeição o italiano, mas ela também era fluente em outras quatro línguas: inglês, holandês, francês e espanhol. Pensa numa mulher inteligente! Isso facilitou muito seu trabalho como humanitária da UNICEF, nos anos 1980 e 1990.

Sem nunca esquecer que foi a comida fornecida pela United Nations Relief and Rehabitation Administration (organização que originou UNICEF) que salvou sua vida no final da Segunda Guerra, Audrey resolveu se aliar à causa. Lançou-se ao trabalho voluntário em 1987 e tornou-se embaixadora da instituição, viajando a várias regiões carentes pelo mundo. Trabalhou pela UNICEF até o fim da vida e chegou a receber um Oscar honorário por sua contribuição humanitária.

Audrey faleceu aos 63 anos, em janeiro de 1993. Ela foi diagnosticada com um tumor no apêndice e o câncer rapidamente se espalhou pelo cólon, sem chances de cura. Infelizmente, nos deixou cedo demais, mas deixou também um legado incrível, que merece ser valorizado. Ela foi muito mais do que um ícone de moda e beleza, foi uma mulher inspiradora por completo.

TEXTO DEJúlia warken
FONTEmdemulher
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