A relação entre mentes brilhantes e a solidão

Você sabia que Steve Wozniak inventou o primeiro computador Apple sentado sozinho em um cubículo na Hewlett Packard, onde então trabalhava?

Sabia que Isaac Newton preferia ficar sozinho estudando a ficar rodeado de pessoas, e que a descoberta da Lei da Gravidade deu-se pelo fato de que ele estava sozinho recostado numa macieira?

O que esses dois casos tem em comum? Grandes feitos se deram pelo fato de que a solidão esteve presente.

Normalmente pessoas mais introvertidas preferem a solidão: esse é o perfil de pessoas inventivas e perspicazes.

Susan Cain, autora do livro Quiet: The Power of Introverts in a World That Can’t Stop Talking (Silêncio: O poder dos introvertidos num mundo que não consegue parar de falar), cuja conferência na plataforma TED Talks defende veementemente que a riqueza criativa das pessoas surge em meio a solidão e solicita, pelo bem da sociedade, que se pratique cada vez mais a introversão.

“Sempre me disseram que eu deveria ser mais aberta, embora eu sentisse que ser introvertida não era algo ruim. Durante anos fui a bares lotados, muitos introvertidos fazem isso, o que representa uma perda de criatividade e de liderança que nossa sociedade não pode se permitir. Temos a crença de que toda criatividade e produtividade vem de um lugar particularmente sociável. Só que a solidão é o ingrediente essencial da criatividade. Darwin fazia longas caminhadas pelo bosque e recusava enfaticamente convites para festas. Steve Wozniak inventou o primeiro computador Apple sentado sozinho em um cubículo na Hewlett Packard, onde então trabalhava. Solidão é importante. Para algumas pessoas, inclusive, é o ar que respiram”.

Paper Abstract Human Brain on Dark Background. Vector Illustration

O que Susan defende é o padrão imposto de que “devemos socializar sempre”. Quantas vezes você, após um dia cheio de trabalhos, estudos, ligações, afazeres não apreciou um momento de silêncio e solidão ao chegar em casa ou no seu quarto? A solidão é muitas vezes necessária, o silêncio e a introversão permite que você ouça sua mente e seu coração e o que eles tem a dizer. Não significa que da noite para o dia você será o próximo inventor de algo revolucionário, mas que você está se permitindo realizar algo inovador em sua vida.

A psicóloga Mireia Darder, autora do livro Nacidas para el placer – Editora Rigden – defende: “Somente quando estou sozinha me sinto completamente livre. Me reencontro comigo mesma e isso resulta em uma sensação agradável e revigorante. É certo que, por inércia, quanto menos sozinho estás, mais te custa estar. Não obstante, em uma sociedade que te obriga a estar constantemente fora de si, os espaços de solidão representam a única possibilidade de se conectar com você mesma. É um movimento de contração necessário para recuperar o equilíbrio”.

Quando pensamos em solidão ou introversão, remetemos a algo ruim, como a tristeza e a depressão. E a proposta aqui não é que você se isole do mundo ou que desenvolva sentimentos e uma vida triste e improdutiva. Pelo contrário. Praticar a introversão e realizar algo significa dar um novo impulso para a sua vida e permitir-se novas oportunidades e ideias. O que nos leva a alguns quesitos para se praticar a solidão de maneira correta:

1 – Tenha ciência de que você é e sempre será a sua melhor companhia: Essa premissa básica é a própria desconstrução de que “dois é melhor que um” mas sim de que em primeiro lugar, você sempre saberá desfrutar desse momento. Antes só do que mal acompanhado, não é mesmo?

2 – Permita-se se conhecer melhor: Quando você deixa sua voz interior falar, suas ideias fluírem e até conversar com você mesmo, você descobre um mundo interior cheio de possibilidades e habilidades até então desconhecidas.

3 – Desconstrução do conceito “ficar sozinho é ruim”: Ao invés de deixar o pessimismo tomar conta, imaginando que seria melhor se estivesse entre amigos por exemplo, permita-se, no momento de solidão, criar algo. Pode ser começando por uma rotina simples como pintar ou escrever, ler um livro ou fazer algo de seu interesse. O mais importante nesse momento é curtir sua companhia.

4 – Registre seus momentos: Pode ser escrevendo num diário, gravando uma nota de como foi o seu dia, é interessante você se ouvir e se conhecer melhor fazendo algo nesse sentido. Expresse seus sentimentos e desenvolva seu autoconhecimento.

Utilizando desses momentos com você mesmo, com certeza novos horizontes se abrirão. Lembrando que estar só não é sinônimo de tristeza, mas sim de oportunidades.

Texto escrito por Bruno da Silva Melo da Equipe Eu Sem Fronteiras

(Parceria da Revista Pazes com o site Eu Sem Fronteiras)

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