A flor da Democracia esvaneceu

Quando menina, vi a Campanha das Diretas com o rosto banhado em lágrimas. Eu tinha pouco mais de meia dúzia de primaveras e o jardim da vida me parecia imensurável.

“Pai, uma mulher pode ser presidente do Brasil, pai?” Meu pai, meio confuso, não me deu resposta.
Esse foi o sonho que motivou grande parte dos meus estudos da infância e da adolescência. As meninas sonham com tantas coisas belas e doces e puras, não é? Eu sonhava ser presidente (ou presidenta) do Brasil.

A Democracia era uma flor tímida, acanhada, pequenina, mas perfumava a alma daquele que consegue (ou ao menos tenta) enxergar, na utopia dos dias, a possibilidade de uma efetiva justiça social e isonomia.

Mas a flor esvaneceu. No desalinho das esperanças, pouco resta de horizonte à utopia primeira.

Contei à minha filha da pergunta que fizera há 3 décadas: “Pai, uma mulher pode ser presidente do Brasil?” E a minha filha, já talvez desprovida do senso patriótico aos 14 anos de idade, devolve-me a pergunta: “Mãe, que Brasil?”.

Verdade, filha: “Que Brasil?”

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Nara Rúbia Ribeiro
Advogada, poeta, escritora, idealizadora e responsável pela edição geral da Revista Pazes.



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