Carta de uma mulher para as mulheres

Queridas mulheres! O mundo anda em conflito… Porque o feminino anda em conflito! A sociedade colhe as consequências de um longo ser e estar da injustiça contra o corpo feminino.

Fomos ensinadas a reprimir nossos corpos embaixo de muitas saias e sufocá-los em espartilhos amarrados contra as leis da saúde e do bem estar. E assim devíamos ser para que fôssemos aceitas…

Essas manifestações e forma de pensar ocorrem em milhares de lugares ao redor do mundo: japonesas amarravam os pés para que ficassem pequenos, tribos tailandesas alongavam os pescoços em intermináveis e belíssimas gargantilhas, muçulmanas se escondem dentro das roupas e são obrigadas a repartir os seus maridos como se não houvessem sentimentos dentro delas, cirurgias plásticas são feitas para extrair costelas e afinar cinturas, outras pala alongar as pernas, engrossar lábios… Em todos os lugares e em todos os tempos o mundo – principalmente as próprias mulheres – deseja e escolhe um corpo que não é o seu.

É certo que a soberania dos homens sobre as mulheres é fato incontestável, fruto do mau uso da força e da inteligência. O mau uso da inteligência se dá quando o instinto e o desejo tem voz própria e a inteligência não é acionada para acalmá-los.

NÃO! As mulheres não são culpadas por seres estupradas… Isso jamais! As mulheres são vítimas! Porém, quem aceita e deseja deformar os próprios pés, arrancar costelas ou sufocar o peito em espartilhos e cultua a cultura da dor e do desconforto em prol da suposta beleza é conivente de certa forma com o raciocínio de que as mulheres devem agradar e servir a todo custo…

Ei, nós não precisamos disso! O feminino arrebatador é aquele que se transmite de dentro para fora e não de fora para fora! O verdadeiro feminino faz calar o outro com apenas um olhar ou com um gesto. O verdadeiro feminino, que faz os homens sentirem-se gratos por nos ter ao seus lados é sublime, astuto, intuitivo e profundamente ligado ao silêncio que pulsa dentro do corpo de cada uma de nós. Esse sim é genuíno e deseja a vaidade e a voluptuosidade que nos compete através do corpo que temos, reconhecendo como ponto de partida a gratidão por carregar em si um ventre e um par de seios que lhes garantem o dom de gerar e alimentar uma vida.

O mundo está em rebuliço. Porque nós mulheres nos esquecemos do que é o feminino e nos desconectamos do nosso poder intrínseco que nos foi dado pela Mãe Natureza.

Agora é tempo de brigar e contestar contra aquilo que deixamos que fizessem conosco por muito, muitos e muitos anos. Não nos resignaremos mais e desejamos respeito aos nossos corpos e principalmente à nossa essência, nossa alma feminina que respira insistentemente em nossos poros.

Porém não se enganem queridas mulheres! Essa luta só chegará ao fim quando os homens do bem, os homens que nos reconhecem, lutarem junto conosco. A força masculina ao nosso lado mostrará àqueles que não nos respeitam o quão desmerecedores eles são do respeito como um todo. E será olhando dentro dos olhos masculinos que verão refletidas e espelhadas a imundice que os habita.

Não lutem sozinhas!

Da mesma forma que a luz é reconhecida graças ao escuro; que a água é valorizada graças à sede; que o calor é bem vindo graças ao frio; o feminino é valorizado graças ao masculino. Pensem nisso! Num mundo vazio a luta pelo feminino não teria sentido. Porque o feminino o seria por si só. Porém vivemos numa sociedade, e o feminino ao lado do masculino ganha muito mais força!

Mulheres, aliem-se! Montem seus exércitos de humanidade contra a indignidade e a estupidez alheia.

E porque assim desejamos, assim será!

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