Os dias nos passam como o vento por entre as folhas. Eles nos passam pois sinto que o tempo corre e circula por entre nossos corpos. E sempre que pensamos que o tempo dos nossos desejos é mais ágil que o tempo da vida, enganamo-nos. Quando vemos na parte inferior da ampulheta os anos que já deixaram de ser, concluímos que o tempo da vida passa muito mais rápido que o nosso. E aí toda nossa suposta correria se vai em vão.

A sensação de vida bem vivida não se dá na quantidade de coisas que fazemos, mas no prazer que sentimos enquanto os dias circulam por entre a gente. Não acredito meu caro amigo que estamos nessa vida para sofrer, mas sim para sentir prazer – nem que seja nas nossas lutas. Claro que não me refiro ao prazer leviano que será esquecido no amanhecer seguinte, mas àquilo que alegra a nossa alma durante a sua busca.

Enquanto nossos dias passam nosso corpo envelhece. Perde o vigor e as vontades da juventude. Porém nesse mesmo tempo nossa alma se revigora. Quanto mais vivida, sábia e alimentada a nossa alma é, mais prazer ela sente na sua busca pela alegria.

Vivemos dentro de nós o contraponto entre o corpo e a alma. Com o passar do tempo, enquanto um envelhece o outro revigora. Como uma vela símbolo de vida, para que a chama se ilumine é preciso queimar o pavio e a parafina.

A areia da ampulheta meu amado amigo, nos fala do tempo que passa desgastando nossos corpos. Mas sobre nossas almas, só o silêncio que carregamos dentro do peito é capaz de nos falar a respeito.
Não se aflija querido irmão se não conseguir mover montanhas. Pergunte-se inclusive se tais montanhas moram dentro de você e se faz algum sentido usar seu precioso tempo para movê-las.

Lembre-se: você nunca tem tempo. Se assim fosse, já teria tratado de paralisá-lo várias vezes não é mesmo? É o tempo que te tem. Ele que crava marcas sobre o seu corpo. Ele que corre inexoravelmente contra tua vontade. Ele que nunca adia e nem atrasa pois sempre é e está por entre nós.

E até que o tempo se cale e tropece, que possamos caminhar leves, com pureza, amor e bondade. Que pelas veredas que trilhamos o jardins de Deus permaneçam sempre floridos.

Até breve amado amigo. Faça da tua ampulheta um mero detalhe. Tempus Fugit, Carpe Diem… Amém!

COMPARTILHAR

RECOMENDAMOS


Raquel Alves

Arquiteta por formação, hoje dedica-se integralmente a presidir o Instituto Rubem Alves, criado para manter vivo o pensamento de seu pai, difundir a sua obra e capacitar novos mestres.



COMENTÁRIOS