Conforme noticiado no siste Catraca Livre, quem vê de longe o maranhense José Ribamar de Fátima Rodrigues, 60, andando pela Praça da Sé pode achar que se trata de mais um homem-placa ganhando a vida no centro de São Paulo.

Mas a batalha diária seu José é outra, chegando mais perto da placa que carrega, na verdade duas folhas simples plastificadas, dá pra ver a foto de Cleilton, 29, um dos dez filhos de José, que desapareceu no início deste ano.

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Eduardo Knapp/ Folhapress Créditos: Eduardo Knapp/ Folhapress

Com poucos recursos e deficiente, Seu José já enfrentou o preconceito e emagreceu 15 kg desde que começou a busca pelo filho

Em 11 de março a família recebeu por telefone a notícia do sumiço de Cleilton. Na época o filho de seu José morava com um irmão em Guariba (a 340 km de SP) e sumiu após ter sido visto chorando no trabalho.

Seu José esperou por 20 dias por notícias do filho, que sofre de depressão e esquizofrenia. Em abril, o homem que mantém com um salário mínimo a casa com oito pessoas, pediu um empréstimo de R$ 4.000 para procurar o filho pelo Brasil.

Com ele, levou apenas uma mochila com documentos, algumas fotos da família, sete peças de roupa – nenhum agasalho para o frio -, um kit de higiene e o cartaz com as fotos do filho que carrega no peito e nas costas. Desde então José, que não tem parte do braço esquerdo, perdeu 15 kg e sofreu preconceito por acharem que era alguém tentando tirar proveito de sua deficiência ou mesmo um mendigo.

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Eduardo Knapp/ Folhapress Créditos: Eduardo Knapp/ Folhapress

Cleilton Dos Santos Rodrigues, 29 anos, sofre de depressão e esquizofrenia está desaparecido desde 11 de março deste ano

Por onde passava, registrava boletins de ocorrência sobre o desaparecimento do filho, já que o Brasil não conta com um cadastro unificado de desaparecidos. Nas delegacias também enfrentou contratempos, diziam a ele que faltavam documentos para os registros ou mesmo que esperasse o filho voltar.

Após muita procura conseguiu uma pista, um boletim de ocorrência registrado em 17 de março, em Araraquara, informava que haviam encontrado Cleilton. Chegando lá, seu José conversou com a funcionária do Centro de Atendimento à População de Rua que havia levado Cleilton à delegacia, ela disse a ele que seu filho estava desnorteado e que o centro doou uma passagem para que o rapaz fosse para São Paulo.

Seu José questionou a atitude da mulher, já que, segundo o que ela informou e o quadro clínico de Cleilton, ele não estava em condições de seguir viagem. Sem muita escolha, o pai seguiu para São Paulo, confirmando na Rodoviária do Tietê que o filho havia desembarcado em 18 de março na capital.

Desde então o senhor se fixou em São Paulo, onde conheceu outras famílias que buscam parentes desaparecidos. A busca de seu José segue, ele anda vários quilômetros por dia, muitas vezes enganando a fome e sede, focado principalmente na Praça da Sé e da Luz, grandes pontos de concentração de moradores de rua.

Algumas delegacias, como a 2ª Delegacia de Polícia de Pessoas Desaparecidas divulgam, pela internet, a foto da pessoa desaparecida que for enviada ao departamento policial.

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